Desempenho zootécnico e bromatologia de tambatinga (Colossoma macropomum x Piaractus brachypomus, Characidae) alimentada com milheto (Pennisetum sp.) / Zootechnical performance and bromatology of tambatinga (Colossoma macropomum x Piaractus brachypomus, Characidae) fed with pearl millet (Pennisetum sp.)

Francisco Andreghetto, Thiago Campos de Santana, Jonatas da Silva Castro, Katherine Saldanha Noleto, Erivânia Gomes Teixeira

Abstract


O objetivo deste estudo foi avaliar o potencial do milheto (Pennisetum sp.) como alimento alternativo para tambatinga (Colossoma macropomum x Piaractus brachypomus). Foram utilizados 45 juvenis de tambatinga divididos em três tratamentos: T1 - alimentado com ração comercial extrusada (RCE) (32% de proteína bruta); T2 - alimentado com 50% de RCE (32% de proteína bruta) e 50% de milheto; e T3 - alimentado somente com milheto. Os peixes foram alimentados durante 60 dias, três vezes ao dia, com 3% da biomassa estocada. O desempenho zootécnico dos peixes foi acompanhado por meio de biometrias realizadas quinzenalmente até o final do experimento. Após os 60 dias, os peixes foram eutanasiados por hipotermia e submetidos à pesagem e medição dos órgãos internos e análise da composição bromatológica do filé. Não houve diferença no desempenho zootécnico para os peixes alimentados com os tratamentos T1 e T2 (P>0,05). Para os órgãos internos, não houve diferença para os tratamentos T2 e T3 (P>0,05), porém foi registrada diferença para o baço e fígado dos peixes desses tratamentos quando comparados ao tratamento T1 (P<0,05). Quanto aos valores da relação hepatossomática, foram registrados valores de 1,12 ± 0,2%, 1,60 ± 0,1% e 1,57 ± 0,3% para os tratamentos T1, T2 e T3, respectivamente. Quanto ao índice de gordura visceral, embora tenha ocorrido um pequeno acréscimo para o tratamento T3, não foi observada diferença significativa para nenhum dos tratamentos. O tratamento T2 apresentou maior teor protéico em comparaçãocom os tratamentos T1 e T3. A substituição parcial da ração comercial extrusada por milheto na alimentação de tambatingas é viável por um período de 60 dias, pois nesta proporção os exemplares apresentaram desempenho zootécnico final satisfatório.

 

 


Keywords


alimento alternativo;aquicultura; nutrição; pirapitinga; ração; tambaqui

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n4-376

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