Perfil microbiano de infecções oculares em pacientes atendidos no hospital universitário do estado do Rio Grande Do Norte / Microbian profile of eye infections in patients assisted at the university hospital of Rio Grande Do Norte state

Monalisa Silva de Souza, Antonio Carlos Vital Júnior, Dayana Carla de Oliveira, Dara Rayanne da Silva Guedes, Camila Avelino de Macedo, Gabriela Medeiros Araújo, José Veríssimo Fernandes, Vânia Sousa Andrade

Abstract


O olho humano frequentemente é susceptível a infecções em sua superfície, seja por desequilíbrio da microbiota normal ou pela aquisição de microrganismos exógenos, assim como pela deficiência do sistema imune ocular. O tratamento das lesões oculares baseia-se atualmente no uso de antimicrobianos de amplo espectro, porém algumas espécies podem adquirir resistência, tornando difícil o controle dessas infecções. Este estudo retrospectivo de caráter epidemiológico teve por objetivo analisar os dados individuais (idade e gênero) e o diagnóstico microbiológico das infecções oculares em pacientes atendidos no Hospital Universitário Onofre Lopes (Natal/RN) no período durante 2016 e 2017. Constituiu-se de uma pesquisa descritiva baseada na coleta de dados sobre a prevalência dos agentes isolados, o tipo de espécime clínico, bem como a análise do perfil de sensibilidade aos antimicrobianos utilizados no tratamento de rotina dessas infecções. Dentre os microrganismos encontrados 58% eram bactérias, e 42% fungos. Entre as bactérias Gram-negativas, a mais prevalentes foram espécies de Pseudomonas, encontradas em 44,8% das infecções bacterianas. Entre os fungos, o mais prevalente foi o Fusarium spp., encontrado em 90,5% das infecções fúngicas. Observou-se uma associação significativa entre a infecção pelo gênero Fusarium e faixa etária entre 25 a 49 anos. Dentre as bactérias Gram-positivas, a mais prevalente foi Staphylococcus aureus, encontrado em 17,2% das infecções bacterianas. O espécime clínico com maior positividade nas culturas foi o raspado de córnea, representando 70% dos casos. Com relação ao perfil de sensibilidade aos antimicrobianos, a maioria das bactérias isoladas se mostraram sensíveis aos fármacos usados na prática oftalmológica, porém, algumas delas tais como as Pseudomonas spp., o Staphylococcus coagulase negativa, o Acinetobacter spp. e a Enterobacter spp. se mostraram resistentes. Conclui-se que, os dados aqui reportados poderão contribuir com o trabalho dos profissionais que atuam na área oftalmológica e estudos epidemiológicos futuros que retratem a prevalência das infecções oculares, especialmente para o levantamento de espécies microbianas ambulatoriais com resistência antimicrobiana.


Keywords


Infecções bacterianas e fúngicas. Infecções oculares. Epidemiologia das infecções oculares. Tratamento das infecções oculares.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n4-226

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