Dietoterapia em um Paciente Hepatopata Hospitalizado: Adequação do Perfil Lipídico/ Dietotherapy in a Hospitalized Hepatopathic Patient: Adequacy of Lipid Profile

Leticia Szulczewski Antunes da Silva, Raquel Santiago Hairrman, Natalí Camposano Calças, Rafael Alves Mata de Oliveira, Yulle Fourny Barão, Eli Fernanda Brandão Lopes, Carolina de Sousa Rotta, Izabela Rodrigues de Menezes, Juliana Galete, Maruska Dias Soares, Thaís de Sousa da Silva Oliveira, Luciane Perez da Costa Fernandes

Abstract


Introdução: As hepatites virais são doenças provocadas por diferentes agentes etiológicos, com tropismo primário pelo fígado, que apresentam características epidemiológicas, clínicas e laboratoriais distintas. A doença hepática crônica resulta em grande impacto nutricional, independente de sua etiologia, pelo fato do fígado responsabilizar-se por inúmeras vias bioquímicas na produção, modificação e utilização de nutrientes e de outras substâncias metabolicamente importantes. Objetivo: Demonstrar a dietoterapia utilizada hepatopata com alteração de perfil lipídico. Metodologia: Trata-se de um trabalho descritivo transversal que relata o caso de um paciente do sexo masculino, 54 anos, etilista crônico, internado em um Hospital de Retaguarda, de maio a outubro de 2019, portador de Hepatite C e Esteatose Hepática (EH) grau II, com diagnóstico nutricional de sobrepeso e alterações no perfil lipídico sérico. Resultados: A avaliação dos exames bioquímicos na admissão, demostrou níveis  alterados de triglicerídeos, colesterol HDL e LDL. As enzimas hepáticas também apresentaram alterações, com Transaminase Glutâmico Oxalacética (TGO) duas vezes maior que o normal, Gama Glutamil Transferase (Gama GT) quatorze vezes maior que o normal. Diante da comorbidade do paciente e dos resultados laboratoriais, a conduta dietética foi ofertar uma dieta livre, pois não haviam restrições quanto a deglutição e mastigação, hiperproteica (1,34 g/kg/peso), hipocalórica (20 kcal kg/peso) e normolipídica, fracionada seis vezes ao dia. Foram adicionados alimentos, entre eles, azeite de oliva extra virgem, oleaginosas e sardinha enlatada em óleo. Houve diminuição dos carboidratos simples, inclusão de fibras como aveia em flocos, frutas e legumes diariamente, 2 porções de cada, uma vez que a história dietética do paciente se resumiu em duas refeições ao dia, com arroz e carne, devido ao etilismo crônico. Foram realizadas atividades de educação nutricional para melhor adesão ao tratamento dietoterápico. Contudo, mesmo com a dificuldade do paciente em aderir á nova alimentação, em um período de 60 dias, foi possível evidenciar uma melhora nos parâmetros bioquímicos e redução dos valores dos exames de LDL, CT, HDL, triglicerídeos, além das enzimas hepáticas, entrando em valores de normalidade. Conclusão: A dietoterapia é essencial no tratamento e melhora das hepatopatias e a adequação dos exames bioquímicos. No caso das hepatopatias crônicas se torna essencial a mudança de alimentação e estilo de vida, muitas vezes simples, sem custos altos, para recuperação da saúde e redução da mortalidade.

 


Keywords


Dietoterapia. Esteatose Hepática. Nutrição.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n1-324

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