Estudo transversal da autopercepção de saúde em adultos residente na cidade de Anápolis – Goiás e a influência do estilo de vida, do acesso ou não à assistência à saúde e a presença ou não de doenças crônicas/ Study of health self-perception in adults resident in the city of Anápolis - Goiás and the influence of lifestyle, access or not to health care

Elisângela Schmitt Mendes Moreira, Filipe Rodrigues de Sousa Borges, Mirian Paiva Silva, Danyelle Rocha da Silva, Bráulio Brandão Rodrigues, Mariana Akemi Matsuy, Fábio Fernandes Rodrigues

Abstract


OBJETIVO: Descrever como a população adulta residente em Anápolis – GO avalia as suas condições de saúde. MÉTODOS: Foram entrevistados 200 moradores do bairro Santa Maria de Nazareth, do município de Anápolis – GO, com faixa etária entre 20 a 91 anos. Os questionários continham informações sobre características individuais, da habitação, hábitos relacionados à saúde, hábitos de vida e auto avaliação da saúde. A análise estatística foi realizada pelo teste de Wilcoxon para amostras independentes para comparação das medianas das idades entre os grupos masculino e feminino, e pelo teste do qui quadrado (?2) para comparação dos valores entre as multivariáveis foi utilizado o teste não paramétrico Kruskal-Wallis. Em todos os testes aplicados, considerou-se como diferença estatisticamente significativa quando a probabilidade foi menor do que 0,05 (p < 0,05). RESULTADOS: A doença mais prevalente na amostra foi hipertensão arterial (28%), porém, 40% dos entrevistados não relataram comorbidades. A autopercepção de saúde regular foi a mais relatada entre os hipertensos e diabéticos, com 50% e 47%, respectivamente. Estes dados apresentaram diferenças estatísticas significativas (p=0,0001). Quanto ao estilo de vida, 69% dos entrevistados relataram que não são fumantes, 68% não ingerem bebida alcoólica, 69% são sedentários e 99% não usam drogas ilícitas. CONCLUSÃO: Os dados apresentados mostram uma estrutura multidimensional da autopercepção de saúde e evidenciam que a população percebe saúde não apenas como inexistência de doença, mas também como um conceito relacionado com aspectos sociais e demográficos, e em menor proporção, com aspectos comportamentais.


Keywords


Autoavaliação, Atenção Primária à Saúde, Análise socioeconômica.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n1-039