Estudo dos hábitos de vida, doenças crônicas não transmissíveis, polifarmácia e interações medicamentosas em pacientes pós acidente vascular cerebral

Barbara Casarin Henrique- Sanches, Magali de Lourdes Caldana, José Roberto Pereira Lauris

Abstract


Objetivou-se caracterizar a relação entre hábitos de vida, prevalência de DCNT, polifarmácia e interações medicamentosas em pacientes adultos/idosos pós Acidente Vascular Cerebral em atendimento fonoaudiológico em uma clínica escola.  A amostra foi composta por 31 sujeitos. Os dados foram coletados por meio de instrumentos sendo: QSAVI-AVC; Identificação de DCNT Autorreferidas; Sessão E do questionário SABE e realizada análise dos níveis de interações medicamentosas por meio da plataforma digital drugs.com. A prevalência foi de sujeitos do gênero masculino (51,6%), com renda familiar média de 4,4 salários-mínimos, maior de 60 anos (51,6%) e média de idade de 59,7 anos. Quanto ao escore do QSAVI-AVC, a média foi de 87,4. A média de DCNT foi de 5,4 doenças por sujeito, sendo dislipidemia (77,4%) a mais prevalente, seguida pela hipertensão arterial (72,4%), sobrepeso/obesidade (64,5%), depressão (48,4%) ansiedade (41,9%), diabetes mellitus e doenças cardiovasculares (35,5%). 68 medicações distintas foram citadas, com média de consumo de medicações distintas diárias de 6,6 medicamentos, com prevalência de polifarmácia em 74,2%. Foram obtidas 307 interações medicamentosas, sendo que 19% eram de interações leves, 72% moderada e 9% altas. Quanto ao maior nível de interações medicamentosas por sujeito, 3% apresentavam interações leves, 39% moderadas e 48% altas. Não houve relação estatisticamente significante entre escore do QSAVI-AVC, DCNT e número de medicamentos utilizados, em contrapartida, observou-se valor de significância entre IMC e escore QSAVI-AVC, IMC e número de medicamentos, número de medicamentos e grau de interação medicamentosa, e DCNT e número de medicamentos.


Keywords


Acidente Vascular Cerebral, Estilo de Vida, Doenças Crônicas Não Transmissíveis; Polimedicação.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n12-084

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