Cenário da doença de Chagas aguda na Região Geográfica Intermediária de Belém/PA / Scenario of acute Chagas disease in the Intermediate Geographical Region of Belém/PA

Aline Danielle Di Paula Silva Rodrigues, Luísa Margareth Carneiro da Silva, Francisco Nascimento, Andrea das Graças Ferreira Frazão, Ana Lúcia da Silva Rezende

Abstract


O presente estudo teve por objetivo caracterizar o perfil de ocorrência da doença de Chagas aguda na Região Geográfica Intermediária de Belém. Trata-se de um estudo retrospectivo, quantitativo e analítico, que avaliou os casos notificados durante os anos de 2007 a 2020 na Região Geográfica Intermediária de Belém/PA, Brasil. Considerou-se dados referentes ao município de residência, sexo, raça/cor, faixa etária, modo de infecção, local de infecção, zona de infecção, mês e ano do primeiro sintoma da doença de Chagas aguda. Foram notificados 1.708 casos durante o período analisado, com uma média anual de 113,87±59,52 notificações. Três municípios concentraram mais de 70% dos casos notificados, sendo eles Ananindeua (Região Geográfica Imediata de Belém), Belém (Região Geográfica Imediata de Belém) e Abaetetuba (Região Geográfica Imediata de Abaetetuba) com 26,58%, 24,88% e 21,96%, respectivamente. O perfil sociodemográfico foi caracterizado por indivíduos de raça/cor parda, entre 20 e 59 anos, infectados via oral, em seu local de domicílio e em zona urbana, porém não houve diferença estatística significativa (p valor < 0,05) entre os sexos masculino e feminino. A sazonalidade da doença de Chagas demonstrou que o segundo semestre concentrou a maioria dos casos (73,65%). Por fim, a tendência temporal estimou que se a ocorrência de casos mantiver este padrão nos próximos anos, em 2030 serão aproximadamente 206,69 casos/ano, com um limite inferior de 101,74 casos/ano e um limite superior de 311,64 casos/ano. Os achados neste trabalho foram primordiais e poderão ser utilizados como ferramentas para o desenvolvimento de novas ações e políticas públicas de prevenção da doença na Região Geográfica Intermediária de Belém de maneira eficaz, pontual e direcionada. Há a necessidade de intensificação das ações de vigilância e controle epidemiológico, bem como atividades de educação em saúde, especialmente no que tange a transmissão via oral, em zonas urbanas, com a população entre 20 e 59 anos de idade e nos meses que coincidem com a safra do açaí - principal alimento veiculador dessa enfermidade na região.


Keywords


Doença de Chagas, Doenças Tropicais, Epidemiologia, Pesquisa sobre Serviços de Saúde, Epidemiologia Social.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n12-077

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