Comparação das variáveis biomecânicas entre o membro dominante e não dominante em indivíduos ativos / Comparison of biomechanical variables between dominant and non-dominant limb in active individuals

Thalles Andrade Marques Pereira, Denise Veck dos Santos, Giovana Duarte Eltz, Mauro Gonçalves, Adalgiso Coscrato Cardozo

Abstract


A simetria referente à magnitude da força muscular dificilmente é encontrada entre os membros inferiores (MMII) e se o grau de assimetria na produção de força ultrapassar um determinado limiar (10-15%) o risco de lesões pode aumentar significativamente. Na direção de uma metodologia preventiva, a biomecânica pode contribuir por fornecer parâmetros que contemplam essa variável, como o pico de torque, a eficiência neuromuscular (ENM) e a razão agonista/antagonista, entretanto uma análise mais comparativa deve ser realizada. Comparar variáveis isocinéticas entre o membro inferior dominante e não dominante de voluntárias ativas. Participaram 20 mulheres fisicamente ativas (frequência mínima de 3 vezes por semana ao menos por 6 meses), com os valores médios: idade 29 ± 4,69 anos; massa 61,21 ± 7,77 kg; estatura 1,65 ± 0,06 m. Foram realizadas duas sessões de coleta de dados com intervalo de 24 horas entre elas. As coletas de dados foram realizadas no membro dominante e não dominante. Na primeira sessão realizou-se um aquecimento no cicloergômetro, testes no dinamômetro isocinético (DI) como: Contração Isométrica Voluntária Máxima (CIVM) para obter o pico de torque na extensão de joelho, teste Isocinético para se obter a razão convencional concêntrico/concêntrico na velocidade de 60°/s e o teste de manutenção de cargas (20%, 40%, 60% e 80% da CIVM). Na segunda sessão, foram realizados os mesmos procedimentos da primeira sessão para o outro membro. Os valores de torque e da ENM foram calculados nos testes de manutenção de cargas (20%, 40%, 60% e 80% da CIVM). Calculou-se o erro relativo (desvio padrão do torque e o coeficiente de variação do torque), o Delay Eletromecânico. Foram realizados os testes de Shapiro-Wilkd e da Homogeneidade pelo teste de Levene, para verificar a associação entre as variáveis independentes assim como para comparação entre os grupos em todas as variáveis analisadas. Nível de significância α<0,05. As razões encontradas não apresentaram diferenças significativas (p=0,08) entre o membro dominante (0,58 ± 0,08) em relação ao não dominante (0,51 ± 0,05). Assim como em relação ao Delay eletromecânico, a saber: RF – D (0,048 ± 0,046) ND (0,035 ± 0,030); VM – D (0,038 ± 0,061) ND (0,026 ± 0,018) e VL – D (0,037 ± 0,056) ND (0,039 ± 0,028). O mesmo ocorreu para ENM durante a manutenção de cargas a 20%, 40%, 60% e 80% da CIVM. Porém ocorreram diferenças significativas para ENM entre as cargas de 20% e 80% da CIVM (p<0, 05) e entre as cargas de 40% e 80% das CIVM (p<0,01). Conclui-se que indivíduos ativos podem apresentar uma ENM afetada pelo percentual de carga utilizado, assim como desequilíbrios musculares na relação entre isquiotibiais e quadríceps cujos valores foram inferiores aqueles encontrados na literatura. Diante disto, sugere-se precaução para possíveis riscos de lesões durante a prática desportiva.


Keywords


Dinamometria, Eficiência neuromuscular, Torque, Biomecânica

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n9-331

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