Importância da implantação do rastreamento de pré-eclâmpsia no primeiro trimestre da gestação – a prevenção universal é possível?/ The importance of implementing first trimester screening for preeclampsia - is universal prevention possible?

Lethicia de Andrade Nunes, Agostinho Paz de Lira Neto, Juliana Mendonça dos Santos Lopes

Abstract


A pré-eclâmpsia é uma doença hipertensiva gestacional, sendo a principal causa de mortalidade materna no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (WHO, 2012). Sendo assim, vários estudos têm mostrado a importância de se buscar rastrear a maior quantidade de mulheres possíveis para a prevenção da pré-eclampsia, de forma a se utilizar um tratamento preventivo já preconizado em casos de alto risco, o uso do AAS (Ácido Acetil-Salicílico) em baixa dose. (ROLNIK et al., 2017) No entanto, o rastreamento universal, que busca identificar as mulheres mais adequadas para a utilização do AAS, ainda têm muitas falhas, principalmente no que diz respeito ao Sistema Único de Saúde do Brasil. O presente artigo tem como metodologia a revisão bibliográfica de artigos extraidos das seguintes bases de dados: PubMed, The Lancet, New England Journal of Medicine, American Journal of Obstetrics and Gynecology e Wolters Kluwers. Situados entre os anos de 2010 a 2020, escritos na lingua inglesa ou portuguesa. Concluindo-se que o AAS, em baixa dose, não demonstra efeitos adversos que indicariam sua proscrição em mulheres grávidas, além de que seria benefício epidemiológico e financeiro para o Estado, visto que tem como expectativa diminuir a mortalidade materna além de várias outras comorbidades maternafetais. Dito isso, ainda que este seja o visível caminho a ser seguido, ainda é notável a necessidade de estudos concretos que visem comprovar a verdadeira eficácia da prevenção universal.


Keywords


Prevenção, Pré-Eclâmpsia, Aspirina, AAS.

References


Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), 2017. Série Orientações e Recomendações FEBRASGO. n. 8, 2017.

KATZ, Leila et al . Perfil clínico, laboratorial e complicações de pacientes com síndrome HELLP admitidas em uma unidade de terapia intensiva obstétrica. Rev. Bras. Ginecol. Obstet., Rio de Janeiro , v. 30, n. 2, p. 80-86, Feb. 2008

Gwyneth Lewis, Beyond the Numbers: reviewing maternal deaths and complications to make pregnancy safer, British Medical Bulletin, Volume 67, Issue 1, Pages 27–37, December 2003.

National Institute for Clinical Excellence (NICE). Principles for best practice in clinical audit. Abingdon, Radcliffe Medical Press, 2002.

STEEGERS, Eric AP et al. Pre-eclampsia. The Lancet, v. 376, n. 9741, p. 631-644, 2010.

SAY, Lale et al. Global causes of maternal death: a WHO systematic analysis. The Lancet Global Health, v. 2, n. 6, p. e323-e333, 2014.

Naghavi M, Makela S, Foreman K, O’Brien J, Pourmalek F, Lozano R. Algorithms for enhancing public health utility of national causes-of-death data. Popul Health Met 2010.

WHO. WHO recommendations for the prevention and treatment of postpartum haemorrhage. Geneva: World Health Organization, 2012.

Australian Institute of Health and Welfare 2016. National Maternity Data Development Project: Hypertensive disorders during pregnancy— Research brief no. 4. Cat. no. PER 78. Canberra: AIHW.

World Health Organization. WHO Recommendations for Prevention and Treatment of Pre-Eclampsia and Eclampsia. Geneva: World Health Organization; 2011;.

DE SOUZA, Nilba Lima; ARAUJO, Ana Cristina Pinheiro Fernandes; COSTA, Iris do Céu Clara. Significados atribuídos por puérperas às síndromes hipertensivas da gravidez e nascimento prematuro. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 45, n. 6, p. 1285-1292, 2011.9 Pregnancy, parturition and preeclampsia in women of African ancestry

DEKKER, Gustaaf A. Risk factors for preeclampsia. Clinical obstetrics and gynecology, v. 42, n. 3, p. 422, 1999.

ROBERTS, J. M.; COOPER, Desmond W. Pathogenesis and genetics of pre-eclampsia. The Lancet, v. 357, n. 9249, p. 53-56, 2001.

ROBERTS, James M. Endothelial dysfunction in preeclampsia. In: Seminars in reproductive endocrinology. Copyright© 1998 by Thieme Medical Publishers, Inc., 1998. p. 5-15.

DALMÁZ, Caroline Abrão et al. Risk factors for hypertensive disorders of pregnancy in southern Brazil. Revista da Associação Médica Brasileira (English Edition), v. 57, n. 6, p. 678-682, 2011.

SOARES, Vânia Muniz Néquer et al. Mortalidade materna por pré-eclâmpsia/eclâmpsia em um estado do Sul do Brasil. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 31, n. 11, p. 566-573, 2009.

WORLD HEALTH ORGANIZATION. Trends in maternal mortality: 1990 to 2008. Estimates developed by WHO, UNICEF, UNFPA and The World Bank. 2010.

AMORIM, Fernanda Cláudia Miranda et al. Perfil de gestantes com pré-eclâmpsia. Revista de enfermagem UFPE on line, v. 11, n. 4, p. 1574-83, 2017.

PERAÇOLI, José Carlos et al. Pre-eclampsia/eclampsia. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 41, n. 5, p. 318-332, 2019.

PAPAGEORGHIOU, Aris T.; CHRISTINA, K. H.; NICOLAIDES, Kypros H. The role of uterine artery Doppler in predicting adverse pregnancy outcome. Best practice & research Clinical obstetrics & gynaecology, v. 18, n. 3, p. 383-396, 2004.

BROSENS, I. A.; ROBERTSON, W. B.; DIXON, H. G. The role of the spiral arteries in the pathogenesis of pre-eclampsia. The Journal of pathology, v. 101, n. 4, p. Pvi-Pvi, 1970.

MARTIN, A. M. et al. Screening for pre‐eclampsia and fetal growth restriction by uterine artery Doppler at 11–14 weeks of gestation. Ultrasound in Obstetrics and Gynecology: The Official Journal of the International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology, v. 18, n. 6, p. 583-586, 2001.

PERALTA, Cleisson Fábio Andrioli; BARINI, Ricardo. Ultrassonografia obstétrica entre a 11ª e a 14ª semanas: além do rastreamento de anomalias cromossômicas. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 33, n. 1, p. 49-57, 2011.

PILALIS, A. et al. Screening for pre‐eclampsia and fetal growth restriction by uterine artery Doppler and PAPP‐A at 11–14 weeks' gestation. Ultrasound in Obstetrics and Gynecology: The Official Journal of the International Society of Ultrasound in Obstetrics and Gynecology, v. 29, n. 2, p. 135-140, 2007.

TAN, Min Yi et al. Screening for pre‐eclampsia by maternal factors and biomarkers at 11–13 weeks' gestation. Ultrasound in Obstetrics & Gynecology, v. 52, n. 2, p. 186-195, 2018.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012.

ROLNIK, Daniel L. et al. ASPRE trial: performance of screening for preterm pre‐eclampsia. Ultrasound in obstetrics & gynecology, v. 50, n. 4, p. 492-495, 2017.

ROBERGE, S. et al. Prevention of perinatal death and adverse perinatal outcome using low‐dose aspirin: a meta‐analysis. Ultrasound in obstetrics & gynecology, v. 41, n. 5, p. 491-499, 2013.

POON, L. C. et al. ASPRE trial: effect of aspirin in prevention of preterm preeclampsia in subgroups of women according to their characteristics and medical and obstetrical history. Am J Obstet Gynecol, v. 217, n. 585, p. e1-585, 2017.

BUJOLD, Emmanuel et al. Prevention of preeclampsia and intrauterine growth restriction with aspirin started in early pregnancy: a meta-analysis. Obstetrics & Gynecology, v. 116, n. 2, p. 402-414, 2010.

WRIGHT, David et al. Aspirin for Evidence-Based Preeclampsia Prevention trial: effect of aspirin on length of stay in the neonatal intensive care unit. American journal of obstetrics and gynecology, v. 218, n. 6, p. 612. e1-612. e6, 2018.

ROBERGE, Stephanie et al. Early administration of low-dose aspirin for the prevention of severe and mild preeclampsia: a systematic review and meta-analysis. Obstetrical & gynecological survey, v. 67, n. 12, p. 760-762, 2012.

NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. NICE. Hypertension In Pregnancy: Diagnosis And Management. NICE Guideline; 2019.

AMERICAN COLLEGE OF OBSTETRICIANS AND GYNECOLOGISTS et al. Low-dose aspirin use during pregnancy. ACOG Committee Opinion No. 743. Obstet Gynecol, v. 132, p. e44-e52, 2018.

WRIGHT, David et al. Competing risks model in screening for preeclampsia by maternal characteristics and medical history. American journal of obstetrics and gynecology, v. 213, n. 1, p. 62. e1-62. e10, 2015.

TAN, M. Y. et al. Comparison of diagnostic accuracy of early screening for pre‐eclampsia by NICE guidelines and a method combining maternal factors and biomarkers: results of SPREE. Ultrasound in Obstetrics & Gynecology, v. 51, n. 6, p. 743-750, 2018.

BERGERON, Tessa S. et al. Prevention of preeclampsia with aspirin in multiple gestations: a systematic review and meta-analysis. American journal of perinatology, v. 33, n. 06, p. 605-610, 2016.

CASPI, Eliahu et al. Prevention of pregnancy‐induced hypertension in twins by early administration of low‐dose aspirin: a preliminary report. American Journal of Reproductive Immunology, v. 31, n. 1, p. 19-24, 1994.

SVIRSKY, R. et al. First trimester markers of preeclampsia in twins: maternal mean arterial pressure and uterine artery Doppler pulsatility index. Prenatal diagnosis, v. 34, n. 10, p. 956-960, 2014.

SVIRSKY, R. et al. Early pregnancy maternal serum markers of pre-eclampsia in twins. Ultrasound Obstet Gynecol: Apr, v. 9, 2015.

SVIRSKY, Ran et al. First trimester maternal serum placental protein 13 levels in singleton vs. twin pregnancies with and without severe pre-eclampsia. Journal of perinatal medicine, v. 41, n. 5, p. 561-566, 2013.

MAYMON, Ron et al. Developing a new algorithm for first and second trimester preeclampsia screening in twin pregnancies. Hypertension in pregnancy, v. 36, n. 1, p. 108-115, 2017.

Aspirina® Bayer S.A. Comprimidos ácido acetilsalicílico 500 mg. Aprovado pela Anvisa. 2016.

DERRY, Sheena; LOKE, Yoon Kong. Risk of gastrointestinal haemorrhage with long term use of aspirin: meta-analysis. Bmj, v. 321, n. 7270, p. 1183-1187, 2000.

HUANG, Edward S. et al. Long-term use of aspirin and the risk of gastrointestinal bleeding. The American journal of medicine, v. 124, n. 5, p. 426-433, 2011.

ATALLAH, A et al. “Aspirin for Prevention of Preeclampsia.” Drugs vol. 77,17 (2017): 1819-1831. doi:10.1007/s40265-017-0823-0

DE SOUZA, Renam Arthur; DE OLIVEIRA, Maria Eduarda Lima; PASQUINI, Maria Isabelle Gazolla. O uso do ácido acetilsalicílico na profilaxia da pré-eclâmpsia. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 2, p. 5971-5979, 2021.

AYALA, Diana E.; UCIEDA, Rafael; HERMIDA, Ramon C. Chronotherapy with low-dose aspirin for prevention of complications in pregnancy. Chronobiology international, v. 30, n. 1-2, p. 260-279, 2013.

AYALA, Nina K.; ROUSE, Dwight J. A nudge toward universal aspirin for preeclampsia prevention. Obstetrics & Gynecology, v. 133, n. 4, p. 725-728, 2019.

WERNER, Erika F.; HAUSPURG, Alisse K.; ROUSE, Dwight J. A cost–benefit analysis of low-dose aspirin prophylaxis for the prevention of preeclampsia in the United States. Obstetrics & Gynecology, v. 126, n. 6, p. 1242-1250, 2015.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n7-312

Refbacks

  • There are currently no refbacks.