Levantamento dos Riscos Ocupacionais das Marisqueiras no Município de Raposa-MA / Survey of Occupational Risks of Shellfish Collectors in the Municipality of Raposa-MA

Natacha Bianca Araújo Da Silva, Edianez Dos Santos Mendes, Wallyson Rangel Ribeiro Oliveira, Tarcylla Da Silva Cruz, Marly Vieira Viana, Cristiane Piheiro Maia De Araújo, Poliana Vera Cruz Serra Soares

Abstract


O extrativismo de moluscos bivalves é uma atividade de origem econômica nas várias comunidades costeiras no Nordeste brasileiro, sendo que cerca de 50.000 indivíduos vivem da coleta de moluscos como a ostra (Crassostrea gasar), o sambambi (Anomalocardia brasiliana) e o sururu (Mytella falcata e Mytella guyanensis). Tendo em vista o objetivo de identificar os riscos ocupacionais das marisqueiras no município de Raposa – MA, a fim de fornecer medidas que contribuam para melhoraria da segurança e saúde. Foram realizadas entrevistas in loco, sendo aplicados 30 questionários semi-estruturados de cunho qualitativo e quantitativo abordando as seguintes questões: conceitos dos riscos ocupacionais, que geralmente estão relacionados ao ambiente em que o trabalhador fica sujeita a várias situações inadequadas, entre outras inúmeras situações que podem gerar danos à saúde ou à integridade física, faixa etária de idade das marisqueiras, escolaridade, estado civil, percepção das marisqueiras quanto aos riscos à saúde (sintomas presentes como dor de cabeça, ardor na pele devido à exposição aos raios solares, fadiga muscular). As informações obtidas foram computadas no software Microsoft Office Excel, versão 2010. Em relação ao grau de escolaridade, a maior parte das marisqueiras possuem ensino fundamental (43%), foram observados também que 40% são alfabetizados e 17% concluíram o ensino médio. A análise de outros trabalhos na área de pesquisa sugere que a baixa escolaridade é típica dos praticantes da atividade de pesca. Para a execução das atividades, as mulheres relataram a utilização de ferramentas como facas, colheres, gadanhos, baldes, peneiras e pás. Por trabalharem em ambiente a céu aberto, as marisqueiras estão expostas à radiação solar, além de frio, umidade e vento. Quanto a utilização de Equipamentos de Proteção individual, 63% das marisqueiras alegaram que fazem o uso principalmente para se proteger do sol intenso e para evitar cortes causados por mariscos, enquanto que 37% não utilizam equipamentos de proteção por não se preocuparem com os riscos que estão expostos nessa atividade. Os riscos ocupacionais levantados por este estudo, poderiam ser evitados se alguma assistência técnica fosse prestada pelo município ou governo estadual para as marisqueiras através de workshops, treinamento, desenvolvimento e utilização de resíduos da atividade como a casca dos mariscos que são descartadas sem aproveitamento.


Keywords


extrativismo, perfil social, equipamentos de proteção individual

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n7-235

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