Hanseníase na infância: perfil epidemiológico e indicadores operacionais no estado do Tocantins, Brasil / Childhood leprosy: epidemiological profile and operational indicators in the state of Tocantins, Brazil

Lara Renata Morais Melo, Thales Fernandes Viana, Isadora Azevedo Leite, Antonios George Issa Haonat Neto, Mariana do Prado Borges, Lorena Dias Monteiro

Abstract


Introdução: O adoecimento de crianças e adolescentes é um indicador sensível da magnitude da hanseníase na população. O fato de crianças apresentarem deformidades físicas visíveis no momento do diagnóstico mostra a pior gravidade da doença. Objetivo: Compreender o perfil epidemiológico dessa população e operacional dos serviços de saúde. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo, com dados obtidos do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. Resultados: Houve maior detecção de casos novos em menores de 15 anos por demanda espontânea e encaminhamento, representando mais de 70%. A detecção foi maior para o sexo masculino (54,34%), na classificação paucibacilar (51,32%), com 2 ou mais nervos acometidos (35,48%). O grau de incapacidade física grau 1 ocorreu em 12,45% dos casos e grau 2 em 3,02%. Conclusão: O fato de quase metade terem sido diagnosticados como multibacilares e mais de 1/3 com mais de 2 nervos acometidos apontam para o diagnóstico tardio da doença em crianças e adolescentes. O programa de controle da hanseníase do estado deve se concentrar e promover atividades de controle sustentáveis com foco na vigilância ativa por meio de exames de contatos, campanhas em massa e outros exames coletivos.


Keywords


Hanseníase. Crianças. Adolescentes. Epidemiologia.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n7-219

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