Crotalária e o controle do dengue / Crotalaria and dengue control

Bruna Ramos Da Silva, Lilian Spada, Carolina Guizardi Polido, Wellington Contiero

Abstract


Introdução: O dengue é uma doença que resulta da degradação de áreas urbanas, pois o acúmulo de lixo, principalmente nos meses quentes e úmidos do verão, propicia o aumento da população de mosquitos Aedes aegypti. Este é um problema fortemente evidenciado em países pobres e em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. Medidas preventivas, como a educação da população e auxílio desta no controle da proliferação dos focos, tem resultado abaixo do esperado, exigindo novas alternativas para o controle do crescimento natural do vetor, principalmente se estas alternativas forem de baixo custo. Diante desta necessidade, a planta Crotalária é vista como uma alternativa, pois consegue atrair uma espécie de libélula que é predadora natural das larvas e do mosquito através de sua ovoposição em recipientes com água parada e em sua vida adulta por alimentar-se do A. aegypti. Desde o plantio da semente até a florescência, quando a planta é capaz de atrair libélulas, 3 meses são necessários. No entanto, as evidências científicas atuais sobre a real ação da crotalária são fracas, e mais estudos são necessários. Objetivos: Este estudo coloca como objetivo estudar a eficiência da crotalária no combate ao dengue da cidade de Ourinhos. Métodos: O cemitério municipal e a área da usina de reciclagem foram as áreas escolhidas por terem pouca influência da população no combate aos criadouros de mosquito, e por serem locais onde já se realiza, desde janeiro de 2017, o controle de focos encontrados. Foi realizado o plantio de crotalárias nas duas áreas nos meses de setembro/outubro e, respeitando o ciclo natural da planta, sua florescência será em dezembro, atraindo libélulas nos meses do verão. Deste modo, a intervenção proposta forneceu dados comparativos em relação ao número de focos antes e depois do plantio da crotalária, num ambiente de pouca interferência humana no combate ao mosquito, e que reconhecidamente apresenta muitos focos. Conclusão: A Crotalária e suas isoformas contribuem positivamente no controle da proliferação das larvas e da forma adulta do A. aegypti por mecanismo já bem claros pela literatura. Nossos dados apontam resultados positivos e semelhantes aos outros estudos explícitos neste artigo, com a redução do foco de larvas, do mosquito e consecutivamente da doença.


Keywords


dengue, doenças endêmicas, saúde pública, enfermagem em saúde comunitária.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n7-126

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