Relação entre causas obstétricas diretas e mortalidade fetal no Brasil / Relationship between direct obstetric causes and fetal mortality in Brazil

Larissa Isabelle de Lima Pessoa Silva, Tayná Bernardino Gomes, Vitória Maria de Lima Pessoa Lira, Carolynne Saturnino da Silva, Karinne da Silva Santos, Mirtes Teresa Gomes Paiva, Thais Josy Castro Freire de Assis

Abstract


Objetivos: Quantificar a prevalência dos óbitos fetais decorrentes de causas obstétricas diretas ocorridos entre o período de 2010 e 2018 no Brasil. Métodos: Estudo transversal, de caráter descritivo, com abordagem quantitativa, que utilizou dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos e do Sistema de Informação sobre Mortalidade fornecidos pelo banco de dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde. O estudo consiste na análise dos óbitos fetais decorrentes de causas obstétricas diretas, ocorridos entre 2010 e 2018 no Brasil. Resultados: No Brasil, entre 2010 e 2018, ocorreram 283.411 óbitos fetais, sendo grande parte relacionada a causas obstétricas diretas, com predominância de 264.068 mortes decorrentes de algumas afecções originadas no período perinatal. Observou-se prevalência em: gravidez única (90,2%), parto vaginal (66,1%), antes do trabalho de parto (90,1%) e em hospitais (92,6%), em fetos do sexo masculino (52,74%), com idade gestacional entre 32 e 36 (23,73%) e entre 37 e 41 semanas de gestação (23%) e peso entre 500 e 999g (23,41%) e entre 1.500 a 2.499g (23,30%). Conclusões: A mortalidade fetal é considerada como um desafio, principalmente para países em desenvolvimento como o Brasil. Portanto, o estudo da natimortalidade, de suas variáveis e de sua relação com as causas obstétricas diretas é de extrema importância para ampliação do conhecimento sobre o tema e, consequentemente, declínio do número dos casos considerados evitáveis através da prevenção.


Keywords


Gravidez. Complicações na gravidez. Mortalidade fetal. Perfil de Saúde. Estatísticas Vitais.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n7-031

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