Prevenção de febre reumática: perspectivas atuais e futuras / Prevention of rheumatic fever: current and future trends

Andrey Modesto Velasquez Lins, Anna Júlia de Contte Laginestra, Clara Alvarenga Moreira Carvalho Ramos, Danielle Paola Padilha de Lucca, Karine Garcia Pires, Maria Catalina Rodriguez Charry, Marcel Vasconcellos

Abstract


A Febre reumática é uma doença inflamatória cujo agente etiológico Estreptococos β-hemolítico do Grupo A, é comum em crianças e adolescentes que possuem suscetibilidade genética. As sequelas da Febre reumática (FR), perduram por toda vida, à exemplo da cardite. O estudo tem por objetivo revisar as estratégias de prevenção atualmente utilizadas na doença. Realizou-se uma revisão narrativa, utilizando as bases de dados do MEDLINE/PubMed®, SciELO e EBSCOH. Após a leitura dos resumos ou texto completo, foram selecionadas 14 publicações. Também foram utilizadas informações da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Considerando que a FR pode advir de uma faringoamigdalite estreptocócica, torna-se necessário iniciar a profilaxia primária para impedir sua evolução, por meio do uso da Penicilina G Benzatina por via IM. Como profilaxia secundária, ou seja, quando o paciente já possui a doença, é vital impedir que haja colonização pelo agente etiológico, trazendo recidivas ou mesmo agravamento das lesões cardíacas. Outro aspecto relevante é a baixa adesão de uma parcela dos pacientes devido ao tratamento ser doloroso. Portanto, é preciso acompanhar e incentivar a profilaxia, lembrando de sua importância ímpar na doença e estar atento às condições socioeconômicas do paciente, as quais se influenciam diretamente no contágio. Atualmente, uma forma de prevenção promissora, se relaciona com o desenvolvimento e validação de uma vacina pela Universidade de São Paulo (USP), a qual encontra-se em fase pré-clínica. No entanto, há que se considerar a dificuldade em sua produção, haja vista que o Streptococcus pyogenes possui mais de 250 cepas. A FR é uma patologia de caráter multissistêmico e que ainda representa um grave problema de saúde pública. Apesar do potencial dano permanente da FR no organismo, a doença é passível de prevenção.

 


Keywords


Febre Reumática, Streptococcus Pyogenes, Prevenção de Doenças, Políticas Públicas de Saúde.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n6-675

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