“É ela quem vai me atender?” Os desafios das mulheres em profissões culturalmente masculinas / “will she attend me?” The challenges of women in culturally male professions

Linnik Israel Lima Teixeira, Marcos Antônio Cavalcante de Oliveira Júnior, Elane dos Santos Silva Barroso, Laíse do Nascimento Silva, Maria Victória Melo Costa, Raiane Freitas Silva

Abstract


A pesquisa teve como objetivo investigar os obstáculos, motivações e expectativas de mulheres em profissões culturalmente consideradas como masculinas. O estudo é relevante haja vista a dificuldade que as mulheres ainda enfrentam para ascender a melhores cargos na organização, mesmo com desempenho superior a homens. A pesquisa mapeou e entrevistou quatro mulheres que exercem profissões culturalmente masculinas em duas cidades da região norte do Piauí, que se encaixam no perfil desejado: policial militar, vigilante, proprietária de escritório de contabilidade e agente de trânsito. Através de um roteiro de entrevista semiestruturada, os dados foram coletados e analisados por meio de unidades de sentido. Os resultados indicam que as mulheres tiveram dificuldades de adaptação e sofrem situações embaraçosas, principalmente por parte de clientes, e algumas situações atingem a vida pessoal das entrevistadas. No entanto, o orgulho da instituição e a felicidade pelo conteúdo do trabalho as estimulam a permanecer na profissão.


Keywords


Mulheres, Mercado de trabalho, Profissões masculinas

References


AGUIAR, N. Grupo Doméstico, Gênero e Idade: análise longitudinal de uma plantação canavieira. Tese de Concurso para Professora Titular apresentada ao Departamento de Sociologia e Antropologia. Belo Horizonte: FAFICH/UFMG, 2001.

ASHBY, J. et al. Legal work and the glass cliff: Evidence that women are preferentially selected to lead problematic cases. William and Mary Journal of Women and the Law, v.13, n.3, p. 775–793, 2007.

BADGETT, M. V. L.; FOLBRE, N. Job gendering: Occupational choice and the marriage market. Industrial Relations, n. 42, issue, 2, p. 270–298, 2003.

BARDIN, L. Análise de conteúdo: edição revista e ampliada. São Paulo: Edições 70, 2016.

BEAUVOIR, S. O segundo sexo: fatos e mitos. São Paulo: Difusão Europeia do Livro, 1960.

BORGES, M. T. A. S.; OLIVEIRA, A. L. A Mulher e sua Atuação no âmbito da Logística: Um estudo de casos múltiplos na Região do Cariri. Revista Multidisciplinar e de Psicologia, n.43, v.13, p. 490-505, 2019.

BOUVILLE, M. On enrolling more female students in science and Engineering. Science and Engineering Ethics, 2008.

CHISHOLM-BURNS, M. A. et al. Women in leadership and the bewildering glass ceiling. American Journal of Health-System Pharmacy, n. 74, v.5, p. 312–324, 2017.

COOK, A., GLASS, C. Above the glass ceiling: When are occupational minorities promoted CEO? Strategic Management Journal, v35, n7, p. 1080–1089, 2014.

EAGLY, A. H. Sex differences in social behavior: A social-role interpretation. Hillsdale, NJ: Erlbaum, 1987.

EAGLY, A. H., KARAU, S. J. Role congruity theory of prejudice toward female leaders. Psychological Review, v.109, n.3, p. 573–598, 2002.

EAGLY, A. H., WOOD, W. Social Role Theory of Sex Differences. The Wiley Blackwell Encyclopedia of Gender and Sexuality Studies, 1–3, 2016

FIGUERÊDO, R. B.; CRUZ, F. M. L. Psicologia: profissão feminina? A visão dos estudantes de psicologia. Revista de Estudos Feministas, v.25, n.2, 2017.

GLASS, C., COOK, A. Leading at the top: Understanding women’s challenges above the glass ceiling. The Leadership Quarterly, v. 27, n.1, p. 51–63, 2016.

GRAF, L. P.; DIOGO, M. F. Projeções juvenis: Visões ocupacionais e marcas de gênero. Revista Brasileira de Orientação Profissional, p. 71-82, 2009.

IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas. Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil. Estudos e Pesquisas, Informação Demográfica e Socioeconômica. n.41, 2019.

JUNIOR, E. F. et al. A Ascensão feminina no mercado de trabalho, com foco na liderança. Atena-Revista Digital de Gestão & Negócios-, v. 1, n. 1, 2016.

KHILJI, S.E.; PUMROY, K.H. We are strong and We are resilient: Career experiences of women engineers. Gender Work Organ., v. 26, issue 7, p. 1-21, 2018.

KOHLSTEDT, S. G. Sustaining gains: Reflections on women in science and technology in 20th-Century United States. NWSA Journal, p. 1-26, 2004.

KULIS, S.; SICOTTE, D.; COLLINS, S. More than a pipeline problem: Labor supply constraints and gender stratification across academic science disciplines. Research in Higher Education, p. 657-691, 2002.

LEONE, E. T.; KREIN, J. D.; TEIXEIRA, M. As mulheres e o mercado de trabalho. Cadernos de Formação Mulheres: mundo do trabalho e autonomia econômica. São Paulo, 2017. Disponível em https://www.eco.unicamp.br/images/arquivos/Caderno-3-web.pdf. Acesso em fev 2020.

MARTIN, P. BARNARD, A. The experience of women in male-dominated occupations: A constructivist grounded theory inquiry. Johannesburg. SA j. ind. Psychol. vol. 39 n.2, 2013.

MCCLINTOCK, E. A. Occupational Sex Composition and Marriage: The romantic cost of gender-atypical jobs. Journal of Marriage and Family, v. 82, issue 3, p. 911-933, 2020.

MOSCOVICI, S. A representação social da psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar, 1978

PNAD- Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Síntese de indicadores 2013 / IBGE, Coordenação de Trabalho e Rendimento. - 2. ed. - Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: . Acesso em fev 2020.

PEREIRA, A. C.; RUBIA, N. M. B.; TANÚS, V. P. Manual de Metodologia Científica. 2. ed. Itumbiara, 2014.

RESENDE, A. M.; MELO, M. C. Lugar de Mulher é na Cozinha? Uma análise com Chefs mulheres sob a lógica da dominação masculina. Anais do Congresso Brasileiro de Estudos Organizacionais. 4º ed. 2016 Disponível em: . Acesso em: nov. 2019.

RYAN, M. K., HASLAM, S. A. The glass cliff: Exploring the dynamics surrounding the appointment of women to precarious leadership positions. Academy of Management Review, v. 32, n.2, p. 549–572, 2007

ROBINSON, K. Sex and Gender Roles, Division of Labor in. The International Encyclopedia of Anthropology, 1–4. doi:10.1002/9781118924396.wbiea2208. 2018 Disponível em: . Acesso em fev 2020.

RUBIN, M. et al. An exploratory study of the relations between women miners' gender‐based workplace issues and their mental health and job satisfaction. Journal of Applied Social Psychology, v.7, issue 7, p. 400-411. 2017.

RUDMAN, L. A., PHELAN, J. E. Backlash effects for disconfirming gender stereotypes in organizations. Research in Organizational Behavior, v. 28, 61–79, 2008.

SANTOS, L.; MASSI, J.; COFFI, P.B.; IOP, M.C.R.; MEDEIROS, L.M.; ROSSETIM, M.F.T. Women fishermen in the riverside area of the municipality of Itaqui-RS. Brazilian Journal of Development, v.7, n.4, p.36007-36019, abr./2021.

SEGÓVIA-PEREZ. et al. Being a Woman in a ICT job: an analysis of the gender pay gap and discrimination in Spain. New Technology, Work and Employment, v. 35, issue 1, p. 20-39, 2020.

SCOTT, J. “Gênero: uma categoria útil de análise histórica”. Educação e Realidade, v. 16, n. 2, p. 5-22, jul./dez, 1995.

SILVA, K. S.; FERREIRA, M. L. A. Trabalho Feminino ou Trabalho Masculino? Uma análise da inserção de mulheres em ocupações consideradas masculinas na cidade de Montes Claros/MG. Revista Alteridade, n.1, v.2, p. 86-108, 2016.

SIMPSON, R. Masculinity at work: The experiences of men in female dominated occupations. Work, Employment and Society, v. 18, n. 2, p. 349–368, 2004.

SOUZA, M. R. L “Só podia ser mulher!” uma análise sob a ótica feminina a respeito de profissões masculinas. Anais do X CASI - X Congresso de Administração, Sociedade e Inovação. 2017. Disponível em:

TEDESCHI, L. A. Os desafios da escrita feminina na história das mulheres. Raído, v. 10, n. 21, p. 153-164, 2016.

VERGARA, S. C. Projetos e relatórios de pesquisa em Administração. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

WEF - World Economic Forum. Global Gender Gap Report 2020. 2020. Disponível em: . Acesso em fev 2020

WOOLF, V. Um teto todo seu. Trad. Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1929.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n6-674

Refbacks

  • There are currently no refbacks.