A prática da humanização na formação médica: realidades, paradoxos e perspectivas / The practice of humanization in medical training: realities, paradoxes and perspectives

Kálita Oliveira Lisboa, Giovanna Garcia Manso, Isabela Perin Sarmento, Rebecca Perin Sarmento, Vitória Rezende Megale Bernardes, Priscila Maria Alvares Usevicius, Hígor Chagas Cardoso

Abstract


Introdução: A palavra “humanização” tem muitos significados, integrando inumeráveis variáveis, sendo interposta por imprecisões. Mais amplamente, a humanização pode ser considerada como o ato de tornar algo mais humano. Apesar de todo o aparato teórico concernente à assistência humanizada na formação médica, a inserção desses quesitos na prática ainda é conturbada. Os alunos não possuem interesse nas matérias que tratam deste assunto, considerando-as dispensáveis. Pode-se explicar tal fato pela forma como a matéria é abordada em aula: superficialmente. Assim, o objetivo desta pesquisa é identificar as percepções dos acadêmicos de medicina acerca da humanização do cuidado ao longo da graduação, observando as diferentes etapas que compõem o curso (ciclo inicial, ciclo intermediário e internato). Método: Trata-se de um estudo transversal e descritivo, de natureza quantitativa, realizado no curso de medicina do Centro Universitário de Anápolis - UniEVANGÉLICA. O público alvo da pesquisa são alunos do 4º, 8º e 12º períodos. Para este fim, foi utilizada a Escala de Orientação Médico Paciente (EOMP) - do inglês, Patient-Practioner Orientation Scale (PPOS). Este instrumento avalia a atitude do estudante em relação à centralização da prática da medicina no médico, na doença ou no paciente. A coadministração de um questionário sociodemográfico quantificou dados psicossociais que possam influenciar os resultados obtidos. Esta pesquisa foi submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) UniEVANGÉLICA, seguindo a resolução 466/2012. Os participantes foram voluntários e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Resultados: Foi observado que 82,5% dos acadêmicos possuem prática clínica com centralização na imagem do médico, 15,3% têm condutas relativamente dirigidas e compartilhadas com os pacientes e, por fim, apenas 2,0% apresentaram uma conduta condizente com a medicina centrada na pessoa. Além disso, quando se investigou possíveis fatores envolvidos com centralização do cuidado pelo acadêmico de medicina, obteve-se uma análise significativa (p < 0,05) com a variável religião. Conclusões: A percepção final do presente estudo é de que a maioria dos acadêmicos de medicina apresentam uma postura mais focada no próprio médico. Para tanto, é preciso fomentar o estímulo do desenvolvimento de habilidades e competências de comunicação em prol de uma melhor relação médico-paciente.


Keywords


Humanização da Assistência. Educação de Graduação em Medicina. Atitude do Pessoal de Saúde.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n6-442

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