Brincadeiras e Gênero, entre o Passado e o Presente: Relato de um Estudo em São Paulo – Brasil / Play and Gender, between Past and Present: Report of a Study in São Paulo – Brazil

Daniela Signorini Marcilio, Madalena Pedroso Aulicino

Abstract


No Brasil, crianças e adolescentes de 10 a 15 anos de idade gastavam no ano de 2009, em média, 20 horas semanais com afazeres domésticos, sendo que os meninos despendiam 10 horas e as meninas 25 horas semanais (IPEA, 2012). Além disso, dados apontam que está aumentando a participação da mulher no mercado de trabalho (IBGE, 2012), porém, observa-se que este aumento não repercutiu em mudanças em brinquedos e brincadeiras infantis. Desde o passado diferenciações de gênero fazem parte do universo de brincadeiras infantis e é nessa condição que a criança aprende a distinguir brinquedos e brincadeiras de meninos e de meninas (Marcilio, 2015). Nesse sentido, que mensagens as crianças estão recebendo das famílias, da mídia e da cultura em geral para reproduzir brincadeiras de gênero? A partir de relatos de idosos sobre brincadeiras infantis do passado, aliadas às observações feitas de brincadeiras no presente, este artigo teve como objetivo principal apresentar questionamentos sobre essas diferenciações e como elas podem reforçar estereótipos e papéis de gênero na sociedade, que são aprendidos desde a infância, no brincar. Utilizando as metodologias de história oral e observação participante, tem-se 13 idosos entrevistados e 340 crianças observadas em dois Distritos do Município de São Paulo, Brasil. Constatou-se que o brincar na atualidade apresenta poucas alterações em relação ao passado, e questões de gênero estão reforçadas nos discursos e nas mensagens de brincadeiras e brinquedos.


Keywords


Infância, brincar, cultura, gênero, memória.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n6-148

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