Escopo de práticas do Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF): perspectiva dos profissionais do Nasf e da Estratégia Saúde da Família / Scope of practices of the Extended Family Health Center (NASF): perspective of professionals from Nasf and the Family Health Strategy

Patrícia Nantes Monteiro, Renata Palópoli Pícoli, Geize Rocha Macedo de Souza

Abstract


Objetivo: analisar as ações desenvolvidas pelo Núcleo Ampliado de Saúde da Família (Nasf), na percepção dos profissionais. Método: trata-se de um estudo seccional, descritivo e analítico, de abordagem quantitativa, em 59 equipes de Saúde da Família (eSF), contempladas com a inserção do Nasf, com 103 profissionais. Foi utilizado dois questionários distintos para Nasf e eSF, aplicados entre abril e junho de 2018, com respostas de múltipla escolha e escala de mensuração Likert. Calculou-se a média das respostas, sua classificação em (in)adequadas ou (in)satisfação e os valores do desvio padrão da média para obter a convergência ou divergência de respostas. Foram apresentados em tabelas contendo média, desvio padrão da média e para a análise descritiva utilizou-se frequência absoluta e percentual. Resultados: os achados demonstraram a construção coletiva do planejamento, pautados nas demandas da eSF, as reuniões versaram sobre discussão de casos, projetos terapêuticos singulares, agendamento de consultas. Destacaram-se na agenda do Nasf visitas domiciliares, consultas individuais, grupos terapêuticos. O planejamento das ações apresentou forte adequação e alta convergência (Nasf) e convergência (eSF), na discussão compartilhada, acompanhamento e devolutiva de casos adequadas para eSF e fortemente adequadas para o Nasf, com convergência em ambos, com exceção para devolutiva, divergência para a eSF. Em situações imprevistas, a pactuação de apoio foi significativamente maior para o Nasf quando comparada a eSF. Conclusão, os profissionais demonstraram-se satisfeitos com as ações do Nasf, no entanto, a concepção do Nasf quanto ao próprio trabalho mostrou-se mais positiva, quando comparada com os da eSF.


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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n6-076

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