Trichomonas vaginalis como Co-Fator na propagação do HIV em mulheres: uma revisão de literatura/ Trichomonas vaginalis as a Co-Factor in HIV propagation in women: a review of the literature

Isabelle Lolli Pascoal, João Murta Barreto, Luiza Rocha Pinto Coelho, Mário Henrique Araújo Barbosa, Ana luiza faleiro Vale Oliveira, Juliana Geoffroy Netto Amaral, Camila Aparecida Campos Santos, José Helvécio Kalil de Souza

Abstract


O Trichomonas vaginalis é um protozoário anaeróbio facultativo responsável pela tricomoníase, a Infecção Sexualmente Transmissível (IST) curável mais comum do planeta, que afeta anualmente cerca de 276 milhões de pessoas. É uma parasitose mais frequente entre mulheres e relacionada a alta gravidade, sendo associada à complicações na gravidez, infertilidade, doença inflamatória pélvica (DIP), neoplasia intra-epitelial cervical e aumento na transmissão do HIV. Diante da potencialidade aumentada da transmissão do HIV, o presente trabalho tem por objetivo realizar uma revisão de literatura sobre os principais aspectos relacionados a tricomoníase em mulheres como condição favorável à transmissão do HIV. Para tal, foram pesquisados artigos nas bases de dados Pubmed, Scientific Electronic Library Online e Google Acadêmico, com os descritores “Trichomonas vaginalis“,“tricomoníase“,“coinfecção HIV“ e “coinfecção tricomoníase“. Como critérios de inclusão, foram utilizados estudos realizados em humanos, em língua inglesa ou portuguesa, artigos disponíveis gratuitamente e publicados entre os anos 1998 e 2019, onde foi possível obter 796 artigos. A coinfecção por T.vaginalis e HIV pode aumentar a disseminação genital do HIV, assim como indivíduos infectados pelo T. vaginalis possuem 1,5 vezes mais chances de adquirir HIV em comparação aos não infectados. A transmissão principal é pela via sexual, tendo o homem como principal vetor e como reservatório, a mulher. Os mecanismos patogênicos consistem no aumento da resposta imune local, formação dos pontos hemorrágicos pelo parasito e produção de citocinas diretamente ligadas a uma maior susceptibilidade ao vírus. Os homens, na grande parte dos casos, são assintomáticos, mas podem cursar com sintomas de uretrite, já as mulheres de 25 a 50% são assintomáticas, e quando sintomáticas queixam de sintomas ginecológicos como corrimento amarelo-esverdeado, odor fétido, prurido, dispareunia, disúria, e ao exame físico apresentam, em 2% dos casos, cérvice com aspecto de morango. O diagnóstico é feito da combinação da clínica com exames laboratoriais, o exame mais utilizado é o exame direto a fresco, seguido pela cultura. O tratamento preconizado é o Metronidazol 2g dose única por via oral. A profilaxia é realizada por meio da educação sexual, uso de preservativos e tratamento de parceiros, contribuindo para a diminuição dos casos de infecção por tricomoníase e da disseminação do HIV. A tricomoníase, embora seja uma doença tratável, é pouco conhecida e extremamente relacionada a casos graves, como o aumento da infecção pelo HIV, diante disso, torna-se fundamental o estudo aprofundado de todos os aspectos da doença, particularmente a imunopatogênese da co-infecção a fim de melhores estratégias de conduta e prognóstico, bem como de prevenção.


Keywords


Trichomonas vaginalis, tricomoníase, coinfecção HIV, coinfecção tricomoníase.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv.v7i5.30413

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