Corredores Ecológicos como Ferramentas de Gestão / Ecological Corridors as Management Tools

Leonardo Esteves de Freitas, Irene Ester Gonzales Garay

Abstract


As unidades de conservação de proteção integral são componentes centrais da política brasileira de conservação da natureza. São responsáveis pela conservação dos maiores fragmentos de ecossistemas naturais, juntamente com Terras Indígenas. Porém, é lícito se perguntar se apenas a proteção desses fragmentos assegura a conservação da biodiversidade no longo prazo, uma vez que a fragmentação dos ecossistemas e a consequente fragmentação de populações naturais pode levar ao aumento na taxa de extinção das espécies. Postula-se que a conservação das comunidades naturais depende da proteção do conjunto dos diversos remanescentes de ecossistemas nativos e da ampliação da conectividade entre esses fragmentos, reduzindo o isolamento e favorecendo um maior fluxo gênico das populações silvestres. Esta nova abordagem passou a considerar a escala da paisagem, o que requer a inclusão da sociedade nos processos de conservação e uso sustentável da biodiversidade, levando à noção de Corredores Ecológicos ou Corredores de Biodiversidade. A implantação desses corredores foi adotada como estratégia de conservação da biodiversidade que inclui as dimensões humanas, tornando os corredores ferramentas de ordenamento territorial com objetivo de: 1) fortalecer as áreas protegidas, 2) conservar o conjunto dos remanescentes de ecossistemas e 3) aumentar a permeabilidade da paisagem ao fluxo de espécies. De forma indissociável, somente o desenvolvimento e consolidação de atividades humanas sustentáveis nos corredores suportam uma tal abordagem. Os diversos objetivos da estratégia de conservação de Corredores Ecológicos são discutidos neste artigo.


Keywords


Corredores ecológicos; Biodiversidade; Conservação da natureza.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv.v7i5.29590

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