Perfil epidemiológico da mortalidade de pacientes internados por Covid-19 na unidade de terapia intensiva de um hospital universitário / Epidemiological profile of mortality of patients hospitalized for Covid-19 in the intensive care unit of a university hospital

Paloma Stephany Andrade Santos, Sérgio Ricardo Menezes Mateus, Magali Francisca de Oliveira Silva, Paulo Tadeu de Souza Figueiredo, Rafael Gonçalves Campolino

Abstract


A infecção pelo vírus denominado SARS-CoV-2, produz uma doença nomeada COVID-19 a qual rapidamente se espalhou pelo mundo, resultando em Emergência de Saúde Pública em fevereiro de 2020 e declarada como pandemia em março pela Organização Mundial da Saúde. O acometimento do SARS-CoV-2 nas vias aéreas pode dever-se a expressão da enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2) no parênquima pulmonar, no epitélio das vias aéreas humanas e no endotélio vascular. A infecção apresenta elevada prevalência devido ao rápido modo de transmissibilidade. O quadro clínico varia de leve, moderado e grave, sendo o último que evolui com insuficiência respiratória aguda grave (SRAG) e necessidade de internação em unidade de terapia intensiva (UTI). A característica da casuística de mortalidade pode elucidar conhecimento para o melhor entendimento da evolução da doença. O objetivo desse trabalho foi descrever o perfil epidemiológico da mortalidade dos pacientes internados por COVID-19 na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital universitário. Trata-se de um estudo descritivo retrospectivo a partir da base de dados do hospital universitário pelo Aplicativo de Gestão para Hospitais Universitários – AGHU, no qual foram selecionados 50 prontuários de pacientes internados no hospital por COVID-19 que evoluíram à óbito, foram excluídos prontuários com déficit de informações. Foram usados testes estatísticos, para proporções χ2 e teste t para comparações de médias e de amostras independentes, software (IBM SPSS versão 21). A composição de 50 pacientes contou com um percentual de 62% do sexo masculino, e 19% do sexo feminino. A maior parte da amostra de ambos os sexos se declarou afrodescendentes, seguidos de brancos e outros não relatados. Dentre as comorbidades, destacam-se a hipertensão arterial (50%), diabetes (40%), insuficiência renal (36%), obesidade (28%) e neoplasia (16%). Em relação ao tempo de internação hospitalar, foi identificada uma média de 10 dias em homens e 15 dias em mulheres, o tempo de ventilação mecânica foi semelhante ao de internação. A posição prona demonstrou evolução na relação PaO2/FiO2. Discussão: Um dos pontos importantes observados é que não houve diferença nas características demográficas relacionando-as com as comorbidades. O tempo de internação na UTI ter sido semelhante ao tempo de ventilação mecânica induz-se a refletir se esses pacientes tiveram acesso aos serviços de saúde no início da contaminação e/ou dos sintomas. Somente 44% dos pacientes foram posicionados em prona, sendo que as mulheres foram mais submetidas ao posicionamento em relação aos homens, houve melhora da relação PaO2/FiO2 em ambos os sexos. Recomenda-se a realização de estudos prospectivos para obtermos melhores informações acerca desse perfil de pacientes infectados, como os fatores de riscos, incidência, prevalência, morbimortalidade. O perfil da mortalidade por infecção pelo coronavírus na UTI do Hospital Universitário mostrou que a incidência de óbitos em pacientes portadores de COVID-19 foi maior em pacientes com idade próxima aos 65 anos e com comorbidades associadas. Apesar homens e mulheres de terem sido respondedores a melhora da relação PaO2/FiO2 pela posição prona, evoluíram para óbito.


Keywords


COVID-19, Mortalidade, Perfil Epidemiológico.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv.v7i5.29466

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