Análise da fauna e flora pré e pós pandemia por Covid-19 / Pre-and post-pandemic fauna and flora analysis by Covid-19

João Vitor da Silva, Fabiana Aparecida Vilaça, Gustavo Paschoal Costa, Guilherme Barboza Mesquinho, Bárbara Herculano de Souza Silva

Abstract


1 INTRODUÇÃO

Devido à globalização o mundo inteiro se tornou consumista e o ato de consumir tem aumentado constantemente, portanto, fica difícil apontar caminhos que contribuam para a conscientização do ser humano nas questões que envolvem a sustentabilidade.

Porém, nos últimos anos surgiram pressões  pelo  uso  dos  recursos  naturais, levando à escassez destes. E em meio a uma sociedade consumista, surge a necessidade de recuperação e preservação da biodiversidade, aliada a questões que envolvem pobreza, fome e violência.   Diante desse cenário, a educação ambiental  apresenta-se  como  uma ferramenta importante para a manutenção de um meio ambiente equilibrado. Com isso, a educação ambiental está cada vez mais envolvida na forma de se viver em sociedade, por ser uma melhor forma de manter um equilíbrio entre o meio social e a natureza, buscando, através da sustentabilidade, promover uma educação pautada na cidadania  (EFÍSIO, 2018). VIEIRa, Darcinha; VIEIRA, Moizérina; SILVA, Elduara; VIEIRA, Diane; ALMEIDA, Lucivania. BRAZILIAN JOURNAL OF DEVELOPMENT, volume 7, Nº4, pagina 1 de 6, 01/04/2021. Disponivel em: https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/27478/21768. Acesso em: 21/04/2021.

As ameaças à diversidade biológica estão aumentando devido às demandas de uma população humana que cresce rapidamente e aos contínuos avanços tecnológicos. No Brasil, o crescimento da economia impõe obras de infraestrutura para atender a diferentes setores da sociedade, gerando, assim, impactos socioambientais (BRAGA et al, 2005).

O ano de 2020, porém, está sendo um ano atípico. Em decorrência da pandemia devido a disseminação do SARS-CoV-2 a população mundial teve de cumprir uma quarentena (DECRETO Nº 64.881, DE 22/03/2020) em alguns países, estados e /cidades, de forma mais rigorosa que em outros. Em virtude deste isolamento social, a flora e a fauna de zonas costeiras e rurais passaram a sofrer menos impacto antrópico, logo, percebeu-se que animais e plantas passaram a se reestabelecer de uma forma segura sem a perturbação gerada pelo ser humano.

Diante disso, foi estabelecido a questão problema desta pesquisa, através da análise e observação da dinâmica da fauna e flora em tempos de pandemia, comparada com a mesma dinâmica em dias anteriores, mediante o fluxo contínuo de pessoas.

A pesquisa, que foi realizada na praia de Boraceia-Bertioga, litoral Norte de São Paulo, deve como avaliar o impacto da pandemia sobre as questões ambientais da Associação Morada da Praia, tendo em vista a diminuição da frequência de condôminos e visitantes durante a quarentena.

 

2 METODOLOGIA

A presente pesquisa foi realizada através de observação e experimentação e consulta de dados na literatura existente em base de dados como: Wiki Aves, Governo do Estado de São Paulo, Revista Cientifica Eletrônica de Medicina Veterinária, UNESP, Flora Web, SERLA, Projeto FGV, Recicla Sampa, Câmara Municipal de Porto Alegre, Revista Exame e Revista Nature. 

 

A pesquisa foi realizada em 100 dias, segundo a sequência a seguir: no início de todo mês (do dia 1 ao dia 10), desde maio, os pesquisadores deslocam-se até Bertioga e lá retiram 15 amostras de água do rio, lago e mar, para realizar a análise de pH com um pHmetro portátil gerando assim uma análise mensal, baseando-se em latitude e longitude fazendo a coleta sempre no mesmo local. Além disso, realiza-se também a coleta de água do mar para uma análise de pH e alcalinidade e faz-se a observação de como a fauna e flora estão se reestabelecendo com a diminuição de banhistas e hóspedes na praia e condomínio. Levando em conta que a água do mar é levemente alcalina, geralmente com pH entre 7,4 e 8,5. A variabilidade do pH da água do mar é pequeno, devido às reações relacionadas ao gás carbônico que tendem a manter o pH em equilíbrio, denominado de sistema tampão.

Foram montados acampamentos nas matas, margens de lagos, rios e APP (Área de preservação permanente) para realizar registros fotográficos das espécies locais, sempre usando frutas nativas que fazem parte da teia alimentar dos animais, para atrair as aves, mamíferos e repteis. As fotos servirão para serem usadas nas placas que serão inseridas no condomínio, informando as áreas de preservação ambiental como: APP, Área verde, Jundu, PERB e preservação ambiental.

Além dessas análises para trazer a conscientização ambiental, realizou-se projetos como: implantação de eco-barreias, eco-bueiros, publicação de conteúdo em redes sociais sobre a fauna e flora local e placas de conscientização ambiental.

As eco-barreiras estão sendo confeccionadas com galões de plástico, fazendo assim a reciclagem dos galões que são usados para o tratamento da água na Associação, presas com redes de nylon, contendo na ponta uma corda anexa a mosquetões que serão presos nas argolas chumbadas na parede do rio.

Como resultados das análises pode-se  observar a fauna e a flora se reestabelecerem novamente, exemplo: Coruja buraqueira (Athene cunicularia) fazendo ninho na areia da praia, cardumes de peixes nos lagos e rios da Associação Morada da Praia, como também as Garça-branca-grande (Ardea alba), Garça-branca-pequena (Egretta thula), Gamba-de-orelha-preta (Didelphis aurita), entre outros mamíferos, répteis, anfíbios, insetos, aracnídeos e aves, todos documentados com fotos. Além da fauna se reestabelecer e tomar seu lugar de domínio, a flora também pode aparecer com uma tranquilidade melhor, exemplo: Lírio-d’água-azul (Nymphaea).

Os resultados obtidos com a ação de conscientização ambiental foram: uma diminuição no microlixo encontrado no decorrer do loteamento, da faixa de areia e aparição maior dos animais silvestre fora dos feriados e temporadas.

Segundo os moradores locais, a ação tem surgido um efeito positivo no dia a dia sem a interferência dos visitantes, concordando diretamente com os resultados apresentados.

 

3 CONCLUSÃO

Diante aos resultados obtidos, foi observado que a restrição social levou a uma maior circulação de animais e melhor desenvolvimento de plantas no local onde a pesquisa foi realizada. Além disso, através do trabalho de conscientização ambiental, entende-se que os moradores locais estão preocupados e focados na conservação da fauna e flora local, já os visitantes, talvez por apenas visitarem ou estarem acostumados com a “selva de pedra”, não estão preocupados com a conservação e apenas usufruem dos recursos naturais poluindo, podendo levar a saturação e perturbação ecológica.


Keywords


Pandemia, Covid-19, Fauna, Flora, Ecologia

References


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BRAGA, Benedito et al. Introdução à Engenharia Ambiental. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv.v7i5.29393

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