Territórios simbólicos no Rio Olímpico / Symbolic Territories in Olympic Rio

Tamara Tania Cohen Egler, Fabiana Mabel de Oliveira, Pedro Paulo Gonçalves Neto

Abstract


A questão proposta tem por objetivo examinar o plano urbano para jogos olímpicos da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, realizados em 2016,  para compreender os reais interesses que lhe deram origem.   Para tanto, se realiza um percurso sobre a cidade, para fazer a decantação entre o seu discurso e a realidade do que foi construído no território. O espaço urbano pode ser definido por três dimensões:  a física, que condensa materialidade, a simbólica que se plasma sobre o espaço físico e a social que analisa as relações entre os homens e os processos de apropriação. O presente artigo tem esse objetivo fazer a análise do processo espacial a luz da dimensão simbólica. A realização dos jogos, é um processo inédito de desapropriação/destruição/construção/ da cidade realizado por uma rede de atores globais, associados aos autores locais, para formar uma rede de fragmentos de territórios na cidade do Rio de Janeiro, onde se plasma capital simbólico, e se conecta com a rede de fragmentos de territórios nas cidades globais. A metodologia faz uma leitura do plano urbano para os jogos olímpicos, e percorre os territórios na cidade para examinar realidade do que existe, para analisar as relações entre o dito e o feito, e revelar que estamos diante de um discurso mentiroso que guarda pouca relação com a realidade. O seu resultado revela que a rede de atores globais, associada   aos atores locais, produz uma rede de territórios simbólicos, em benefício da mobilidade global sendo seu objetivo a valorização do capital dos atores que participam da rede que faz a gestão dos jogos olímpicos[1] em todo o mundo.

 


Keywords


Olimpíadas, Redes, Territórios, Simbólico, Globalização, Rio de Janeiro.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv.v7i5.29335

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