Síndrome de miller fisher (MFS), uma variante da síndrome de guillain-barré (GSB): um relato de caso / Miller fisher syndrome (MFS), a variant to the guillain-barré syndrome (GSB): a case report

Felipe dos Santos Souza, Matheus Furlan Chaves, Vinícius Ribeiro Paes de Barros, Luila Cristina Gonçalves Ribeiro, Lucas Thomaz de Aquino Ribeiro, Barbara Paula Schmitt, Leonardo Jose Grosso Estrada, Alvaro Moreira Rivelli

Abstract


Introdução: A síndrome de Guillain Barré é uma neuropatia desmielinizante autoimune, a qual acomete o sistema nervoso periférico de maneira aguda. Dentre as variantes da SGB, temos a síndrome de Miller-Fisher (SMF). A SMF se caracteriza pela instalação aguda da tríade: ataxia da marcha, oftalmoplegia e arreflexia. Descrição do caso: Paciente feminina, 28 anos, procedente de dois serviços médicos e ainda sem diagnóstico, refere que há 6 dias iniciou quadro de parestesia em língua e polpas digitais, ataxia de marcha e instabilidade postural. Exame neurológico: presença de oftalmoplegia, diplopia binocular, paralisia facial e arreflexia. Sinal de Babinski ausente. Exame de fundo de olho sem alterações. Exame do líquor e hemograma sem alterações. TC e RM de crânio sem alterações. Baseado na clínica e nos exames foi feito o diagnóstico SMF. Paciente seguiu internada e tratada com imunoglobulina humana e tratamento suportivo por 5 dias, evoluindo com melhora do estado geral. Discussão: No caso em questão, A presença da tríade: ataxia da marcha, oftalmoplegia e arreflexia foi o sinal mais sugestivo da SMF. O babinski negativo corroborou a hipótese de neuropatia periférica. O diagnóstico é firmado a partir da análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), que pode apresentar dissociação proteicocitologica.  No caso em questão o liquor estava normal. Tal fato, não descarta a possibilidade da doença, já que em estágios iniciais o exame do líquor pode estar normal. Deve-se destacar, ainda, que apesar de os exames de imagem (RM e TC) parecerem pouco resolutivos no caso, eles ajudam a descartar patologias que poderiam estar causando o quadro clínico em questão, bem como aquelas que acometem o SNC. Conclusão: A SMF é rara e de difícil diagnóstico. Levando em conta esse fato, muitas pessoas passam por diversos serviços de saúde para obter um diagnóstico, como no caso em questão. Portanto, o conhecimento dessa entidade neurológica pode ajudar o médico a estabelecer diagnóstico mais precoce e melhor prognóstico ao paciente.


Keywords


Síndrome de Miller Fisher; Síndrome de Guillain-Barré; Neuropatia óptica, Doença desmielinizante.

References


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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n3-038

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