Relato de caso: Síndrome da Hiperestesia em Felino / Case Report: Hyperesthesia Syndrome in a Feline

Lara Garcia Costa, Paula de Melo Arruda, Rodrigo Bernardes Nogueira

Abstract


A síndrome da Hiperestesia Felina é um distúrbio mal compreendido, caracterizado por diversos sinais clínicos, como ondulação da pele sobre os músculos lombares, excesso de autolimpeza, perseguição da cauda, automutilação, agressão e vocalização. Sua etiologia ainda é desconhecida, sendo a síndrome um termo amplo que pode abranger condições dermatológicas (alergia a pulgas, hipersensibilidade), comportamentais (distúrbio compulsivo), ortopédicas (trauma em cauda) e neurológicas (epilepsia primária ou secundária à encefalopatia, tumores cerebrais e doenças espinhais). Foi atendido no Hospital Veterinário da UFLA, no Setor de Clínica de Pequenos Animais, um felino, SRD, macho, 1 ano e 11 meses, com queixa de comportamento atípico há 4 meses, apresentando tremores de lombar, vocalização e automutilação. Tutora relatou, durante a anamnese, que o animal vivia em casa, sem acesso à rua e sem contactantes. A mesma não correlacionava o surgimento das crises a nenhum fato específico. Ao exame físico geral, o animal demonstrou-se bastante ansioso e estressado e não apresentava alterações dermatológicas (tutora realizava controle de ectoparasitas), nem alterações durante o exame neurológico (estado mental, propriocepção, nervos cranianos, avaliação sensorial e reflexos miotáticos), além disso, não demonstrou dor musculoesquelética, nem deambulação, ao exame ortopédico. Nos exames laboratoriais complementares (hemograma, ureia, creatinina,  FA, ALT e AST) não foram encontradas alterações significativas. Como os sinais clínicos eram compatíveis com a Síndrome da Hiperestesia Felina, iniciou-se o tratamento sintomático, levando-se em consideração a hipótese de etiologia comportamental. A primeira prescrição abrangeu recomendações de enriquecimento ambiental e atividades lúdicas com o paciente. Além disso, foi prescrito Amitriptilina 10 mg/mL, a cada 24h, para uso transdérmico.  Passados 30 dias  do início  do tratamento, tutora relatou que não houve melhora das crises, trocando-se, então, a prescrição para Gabapentina 10 mg/ kg, a cada 12h, e Amitriptilina 1mg/kg, a cada 24h. Com este protocolo houve melhora do quadro, porém, com paciente ainda apresentando alguns sintomas. Aumentou-se, então, a frequência de administração da mesma dose da Gabapentina, a cada 8h, mantendo-se a Amitriptilina.  Desta forma,  houve  estabilização do quadro, dentro de 30 dias. Pode-se concluir que, apesar do diagnóstico desta síndrome ser desafiador, por ser pouco conhecida e contemplar exames em diferentes sistemas, a estabilização do quadro foi possível com as medicações e dosagens acima descritas, após os ajustes frequentes das doses e com um tratamento a longo prazo.


Keywords


Clínica, comportamento, gabapentina.

References


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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n2-514