Risco de tromboembolismo venoso e adequação da tromboprofilaxia em pacientes clínicos hospitalizados / Risk of venous thromboembolism and adjustment of thromboprophylaxis in hospitalized clinical patients

Juliana Galete, Carolina de Sousa Rotta, Eli Fernanda Brandão Lopes, Izabela Rodrigues de Menezes, Letícia Szulczewski Antunes da Silva, Marina Felicidade Ramos, Michael Wilian da Costa Cabanha, Camila Guimarães Polisel

Abstract


O Tromboembolismo Venoso (TEV) inclui duas condições frequentes, a Trombose Venosa Profunda (TVP) e o Tromboembolismo Pulmonar (TEP). O TEV é a terceira causa de morte cardiovascular em pacientes hospitalizados. Estima-se que mais da metade dos pacientes hospitalizados correm o risco de desenvolver TEV. Além disso, acredita-se que a Embolia Pulmonar seja a causa evitável mais comum de morte hospitalar. O objetivo deste estudo foi estratificar o risco para TEV e avaliar a necessidade de tromboprofilaxia em pacientes hospitalizados Tratou-se de um estudo transversal e quantitativo, cuja coleta de dados foi realizada no período de maio a outubro de 2020 em um hospital de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, Brasil. Os escore de Pádua e o escore Improve foram utilizados para a estratificação de risco para TEV e do risco de sangramento dos participantes, respectivamente, enquanto a avaliação da necessidade de tromboprofilaxia baseou-se nas recomendações das Diretrizes Brasileiras de Antiagregantes Plaquetários e Anticoagulantes em Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. O estudo atendeu as normas do Comitê de Ética em Pesquisa da instituição e foi aprovado por meio do parecer número 4.003.816. Quarenta e cinco indivíduos com idade média de 57(±DP) anos participaram do estudo. A maioria era do sexo masculino (n=28; 62,22%). Do total, 9 (20,00%), 13 (28,88%), e 23 (51,11%) indivíduos apresentaram um, dois ou três ou mais fatores de risco para TEV, respectivamente. Os principais fatores de risco identificados foram infecção aguda e/ou doença reumatológica (n=35; 77,77%), mobilidade reduzida (n=33; 73,33%) e IAM ou AVC (n=11; 24,44%). A partir da interpretação dos resultados do escore de Pádua, 12 indivíduos (26,66%) foram classificados como baixo risco (< 4 pontos) e 33 (73,33%) com alto risco (≥ 4 pontos) para o desenvolvimento de TEV. Os resultados do risco de sangramento mostraram que todos os indivíduos avaliados (n=45; 100,00%) foram classificados como baixo risco (< 7 pontos) para sangramento. Do total de participantes, 28,89% (n=13) apresentaram a profilaxia prescrita em discordância com o recomendado pela literatura. Os resultados obtidos neste estudo permitiram identificar fragilidades relacionadas à avaliação do risco de TEV bem como às medidas tromboprofiláticas utilizadas pela instituição onde o estudo foi conduzido, o que poderá contribuir para a otimização de tais procedimentos à luz das evidências científicas, favorecendo, assim, o custo-efetividade e a vigilância para TEV nos grupos de alto risco.

 

 

 


Keywords


Equipe de assistência ao paciente, Prevenção de Doenças, Tromboembolismo venoso.

References


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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n2-362

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