Discussão sobre as questões racial e migratória decorrentes da vinda dos médicos cubanos ao Brasil e sua relação com formação social brasileira / Discussion on racial and migratory issues arising from the arrival of Cuban doctors to Brazil and their relationship with Brazilian social formation

Rogério Macedo Ramos

Abstract


O Presente texto tem por objetivo discutir as questões racial e migratória decorrentes da vinda dos médicos cubanos no Brasil para trabalharem no Programa Mais Médicos (PMM) do governo federal a partir de 2013, e suas relações com as estruturas sociais e históricas da formação da sociedade brasileira. A partir do PMM abriu-se um leque de possibilidades de discussão e análise desses sujeitos que vieram exercer sua medicina em solo brasileiro. Trata-se de relações conflitivas que se formaram em torno do Mais Médicos, este que foi instituído como uma política de governo do então Partido dos Trabalhadores (PT), no período apontado como de governos progressistas presente em alguns países da América Latina. O PMM, parceira dos governos brasileiro e cubano, juntamente com Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) teve como finalidade atenuar os problemas da saúde no país, principalmente em lugares negligenciados pelo poder público. Através da migração dos médicos cubanos, possibilitou observar e identificar relações socioculturais conflitivas dentro de um espaço estabelecido, uma vez que eles acabaram indo trabalhar em uma área historicamente ocupada pelas elites e classe média brasileira, a medicina. Tais questões envolveram elementos que estiveram presente nas narrativas de jornais, revistas e redes sociais, como a inferiorização, descriminação migratória, racismo, estigmatização, discurso de ódio. Elementos historicamente presentes na formação da sociedade brasileira e que vieram à tona com a implementação do Programa, e que farão parte da discussão deste trabalho. Neste quadro, o texto busca referência teórica em autores como Florestan Fernandes (2008), que abordam a questão racial no processo de formação da sociedade brasileira. Em diálogo com a produção intelectual de Jessé Souza (2009; 2017), André Singer (2012), Leite (2018), Claudio Katz (2016; 2018) sobre o pensamento social e político nos últimos anos no país. Traremos para a discussão Frantz Fanon (2008), e suas abordagens sobre a inferiorização e estigmatização dos negros germinadas na colonização, já que estes elementos foram imputados aos cubanos. Além de abordar a questão migratória numa perspectiva pós-colonial a partir de Abdelmalek Sayad (1979; 2000).

 

 


Keywords


Médico cubano, inferiorização, racismo, migração.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n2-300

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