Efeito de diferentes volumes de exercício físico aeróbio sobre a atividade de enzimas GPX e SOD nas fibras musculares glicolíticas do gastrocnêmio de ratos wistar/ Effect of different volumes of aerobic exercise on the activity of GPX and SOD enzymes in the gastrocnemius wistar muscle fibers

Sávio Victor Diógenes Mendes, Israel Barbosa de Albuquerque, Matheus Fernandes Montenegro e Silva, Carla Andressa Andrade dos Santos, Guilherme Lisboa de Serpa, Ariclécio Cunha de Oliveira, Vânia Marilande Ceccatto, Adriano César Carneiro Loureiro

Abstract


O sistema de defesa antioxidante enzimático, formado pelas enzimas Superóxido Dismutase (SOD), Catalase (CAT) e Glutationa peroxidase (GPX), é responsável por detoxificar as espécies reativas do oxigênio (ERO). As ERO possuem uma alta capacidade oxidativa, e quando produzidas de forma que exceda a capacidade do sistema de defesa antioxidante, ocorre o processo chamado de desequilíbrio redox (DR). O DR está associado a alguns distúrbios no tecido muscular, como a sarcopenia e distrofia muscular de Duchenne. O exercício físico crônico atenua o DR, adaptando o sistema de defesa antioxidante. Entretanto, essa adaptação pode ser modulada por alguns fatores, como a intensidade do exercício, o volume do treinamento, e o tipo de fibra predominante no tecido muscular. Dessa forma, o objetivo do nosso estudo foi avaliar o efeito de diferentes volumes de exercício físico aeróbio sobre a atividade das enzimas SOD e GPX nas fibras glicolíticas do músculo gastrocnêmio de ratos Wistar. Foram utilizados 24 ratos machos da linhagem Wistar com 60 dias de idade, mantidos em ciclo claro e escuro de 12h com água e comida ad libitum. Os animais foram divididos em quatro grupos: grupo controle (CON), sedentário (SED), treinado por uma hora (T1) e treinado por duas horas (T2), ambos os grupos contendo 6 animais. Os animais do grupo SED, T1 e T2 passaram por um período de oito semanas de adaptação em uma esteira adaptada, enquanto o grupo CON não realizou nenhum exercício físico. Após o período de adaptação, os animais realizaram um Teste de Velocidade Máxima (TVM). O TVM foi utilizado para separação dos grupos e garantir homogeneidade do experimento. Após o TVM, os animais do grupo SED foram mantidos sedentários e não voltaram mais para a esteira, enquanto o grupo T1 treinou por mais uma semana, uma hora por dia a uma velocidade de 1,2 km/h e o grupo T2 treinou por mais duas semanas duas horas por dia na mesma velocidade. A eutanásia foi feita por Dióxido de Carbono (CO2) e a porção do gastrocnêmio branco foi dissecada e armazenada em nitrogênio líquido e posteriormente a -80 ⁰C. A atividade da enzima SOD foi mensurada a partir do auto oxidação da adrenalina e lida em espectrofotômetro em um comprimento de onda de 480 nm. A atividade da enzima GPX foi mensurada segundo o protocolo descrito por Aebi. Os dados demonstraram um aumento significativo da atividade da SOD do grupo T1 comparado ao grupo CON (p<0,001), e do grupo T2 comparado ao grupo CON (p<0,01), como também, do grupo SED comparado ao CON (p<0,01). Houve um aumento significativo da atividade da enzima GPX do grupo T1, quando comparado aos grupos CON (p<0,01) SED (p<0,05). Dessa forma, concluiu-se que as enzimas SOD e GPX nas fibras musculares glicolíticas responderam de forma distinta ao exercício físico e o volume de treino foi um fator modulador da adaptação do sistema de defesa, o que gerou diferentes respostas nas duas enzimas.


Keywords


Exercício físico, Enzimas antioxidantes, Desequilíbrio redox.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n2-081

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