Avaliação nos cuidados com armazenamento e descarte de medicamentos por acadêmicos de uma Faculdade do Sul do Brasil / Evaluation of care with storage and disposal of medicines by academics from a Faculty in Southern Brazil

Bruna Angela Lopes, Liliane Drombovski, Priscila Batista da Rosa, Caio Cesar Sestile, Adrielli Tenfen, Vivian Binder Neis

Abstract


Os avanços da tecnologia têm propiciado diversos benefícios à população principalmente porque permitiram o desenvolvimento e utilização de novos medicamentos. Com este crescimento, surge uma grande preocupação com relação à forma correta para o armazenamento e descarte de medicamentos que não estão sendo mais utilizados. O descarte inadequado no lixo comum ou na rede de esgoto, pode contaminar o solo e as águas o que traz sérios impactos ambientais. No Brasil, apesar de existirem legislações que abordam o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, não há coleta seletiva para medicamentos para a população em geral. Dessa forma, o principal objetivo desse projeto é avaliar alguns cuidados com o armazenamento e descarte dos medicamentos pela comunidade acadêmica. Para isso, foram entrevistados 343 acadêmicos de graduação da Faculdade Unisociesc de Jaraguá do Sul em outubro de 2020. O questionário continha questões tanto relacionadas ao armazenamento de medicamentos, quanto ao seu descarte. Com base na análise de dados, observou-se que 92% dos entrevistados eram de cursos de graduação da área da saúde. Além disso, dos entrevistados, 95,9% armazena medicamentos em casa, sendo que 68% armazena em caixas originais com bula. Além disso, 87% dos alunos descarta os medicamentos em lixo comum, na pia ou vaso sanitário provavelmente porque a grande maioria dos universitários entrevistados não possui conhecimento sobre o destino final dos medicamentos (94%). Esses achados sugerem que existe a necessidade de mais informações para a população acerca dos impactos do armazenamento incorreto ou descarte inadequado porem acarretar na saúde.


Keywords


Medicamentos, armazenamento, meio ambiente, descarte.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n1-528

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