Multimorbidade e polifarmácia em idosos residentes no perímetro rural do município de Seara-SC / Multimorbity and polypharmacy in elderly residents in the rural perimeter of the municipality of Seara-SC

Cristiane Scursel, Luciano Fiorentin, Saionara Regina Sleifer Cechet, Sirlei Fávero Cetolin, Vilma Beltrame

Abstract


Introdução: a longevidade humana é um dos maiores triunfos da humanidade, porém muitas vezes pode vir acompanhada com o aumento das condições crônicas de saúde. Objetivo: descrever a saúde de idosos residentes no município de Seara (SC) quanto ao IMC e doenças crônicas auto referidas. Metodologia: estudo analítico, de base comunitária em área de abrangência dos serviços básicos de saúde do município de Seara-SC. A população alvo do estudo foi constituída por indivíduos com 60 anos ou mais de idade, residentes na área rural do município. Os dados foram coletados nas Unidades de Saúde ou na residência dos idosos, através de entrevista semiestruturada, na qual foi avaliado Índice de Massa Corpórea (IMC), doenças crônicas autorreferidas, uso de medicação contínua e utilização dos serviços de saúde. Resultados: participaram do estudo 198 idosos com idade entre 60 a 93 anos e média de 70,81±8,014 anos. O sexo feminino predominou com 61,1% (n=121) dos participantes; 81% (n= 162) referiram ter estudado de 1 a 4 anos. O estado civil mais informado foi o de casado por 74,7% (n=148) e somente 7,1% (n=14) dos idosos referiram morar sozinhos. Na avaliação do IMC constatou-se que 53% estão com sobrepeso (n=105) e 8,6% (n=17) estão com baixo peso. Em relação as doenças crônicas autorreferidas somente 11,2% (n=22) referiram não possuir. O número de doenças por idoso variou de 1 a sete e as mais prevalentes foram Hipertensão Arterial com 66,7% (n=132), Hiperlipidemia com 32,8% (n=65), Depressão com 23,7% (n=47) e Diabetes Mellitus com 13,1% (n=26). Dos participantes 99,0% (n=196) realizaram consulta médica no último ano.  Considerações finais: os idosos desse estudo, na sua maioria, apresentam IMC alterado e doenças crônicas, sendo que a mais prevalente foi a hipertensão arterial. A utilização de múltiplos medicamentos de uso contínuo foi citada de forma significativa pelos entrevistados. Tanto a polifarmácia quanto a multiborbidade foram mais prevalentes nas mulheres.


Keywords


Idosos, Doenças Crônicas, Atenção Básica.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n1-494

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