Reflexões sobre o processo saúde-doença e suas relações com o trabalho na sociedade capitalista / Reflections on the health-disease process and its relationships with work in the capitalist society

Olivia Gabrielly Laranjeira Silva, Eduardo Cardoso Moraes

Abstract


Este artigo discute a centralidade do trabalho na vida social humana, concebendo que ele é o meio pelo qual o sujeito produz os elementos necessários à sua sobrevivência. Através do trabalho se produzem bens necessários à vida e estabelecem relações, por meio da colaboração, divisão de tarefas, cooperação. Com a complexificação da sociedade, os modos de produção se diferenciam e assumem formas históricas e hegemônicas de alienação do trabalho humano. Ao se submeter à divisão do trabalho, a força de trabalho é apropriada pelo possuidor dos meios de produção, diante disso, o indivíduo não se reconhece como produtor e  os objetos como obra de sua criação, assim, não há satisfação de necessidade e passa a ser fonte de sofrimento. A compreensão de que o trabalho tem consequências sobre a saúde do indivíduo é antiga e os transtornos mentais têm sido reconhecidos como um dos principais problemas ocupacionais tanto no Brasil como no mundo. Materializar a formação politécnica, omnilateral ou integral é a direção a ser trilhada para se conseguir a emancipação humana de toda forma de alienação, pois a proposta de uma formação integral, que não dissocia o “saber fazer” do “saber pensar”, considera a pessoa humana como fim em si mesma e não como meio de exploração.

 

 


Keywords


Trabalho, Saúde Mental, Estresse psicológico, Capitalismo, Educação Integral.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n1-395

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