Políticas educacionais para inclusão de mulheres no mercado de trabalho das areas exatas / Educational policies for the inclusion of women in the exact area labor market

Cristina Silva dos Santos, Daisy Laraine Morais de Assis, Rita Maria Radl-Philpp

Abstract


Nas últimas décadas do século XX os debates acerca da relação de gênero, de uma forma geral, têm se apresentado de modo contínuo na sociedade. Ao definirmos o conceito de homem e mulher, estão presentes questões que vão das percepções sobre o sexo biológico até os conceitos construídos numa vertente predominantemente pelas normas sociocultarais estabelecidas nas sociedades de consumo. Propomos refletir sobre as questões que estão diretamente relacionadas com a inserção de mulheres no ensino superior, bem como, os processos de dinamização e popularização das ciências exatas como espaços ocupacionais para feminização. Questionamos: quais as causas dos movimentos de políticas educacionais existentes de propagação para atuação feminina em áreas das ciências exatas? Quais as relações políticas educacionais e sociais presentes nas falas e ações de entidades fomentadoras de cursos de graduação e pós-graduação popularizando as ciências exatas para ocupação feminina? Em que medida devemos considerar a feminização dos cursos das ciências exatas como uma política de inclusão das mulheres nos lugares de ocupação masculina? Optamos por uma pesquisa qualitativa, tendo como fonte os bancos de dados do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) para identificarmos a participação de homens e mulheres nos programas de oferecimento de recursos para bolsistas de pesquisas nas áreas das Ciências Exatas, sendo nossos principais interlocutores Simone de Beauvoir (1980), Alain Touraine (2007) e Louro (2007; 2001). Percebemos que a formatação das ciências foi constituída por meio da visão binária de masculino e feminino, alocando para a ciência valores pertencentes ao pólo masculino como a razão, objetividade e competitividade do qual o feminino é constituído pelo oposto. Se fossemos buscar alocar as características estabelecidas no pólo feminino seria natural rotulá-las como seres sensíveis, emocionais e, principalmente, sem habilidades para o cálculo e abstração. Sendo assim, realizamos com este artigo uma breve revisão teórica e documental relacionada com os construtos sociais da relação de gênero presentes nos cursos de graduação, bem como a presenças das mulheres nas áreas de conhecimento das ciências exatas. Assim, consideramos este estudo fundamental para o entendimento de como a sociedade ver o processo de inclusão da mulher nas áreas das ciências exatas na contemporaneidade, sem uma visão reducionista, mas centralizada nas discussões acerca da mulher. Reconhecemos que a relação de gênero faz parte das categorias presentes na realidade das práticas sociais, na qual percebemos a inserção das discussões sobre as mulheres envolvendo sexo-gênero-raça direcionadas às questões das desigualdades no âmbito político, econômico, jurídico e social.

 

 


Keywords


Mulher, Ciências Exatas, Construtos sociais, Políticas Educacionais, Mercado de Trabalho.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n1-359

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