Operações florestais em tempos de COVID-19: tornando seguro o ambiente de trabalho / Forest operations in COVID-19 times: making the work environment safe

Stanley Schettino, Ana Carolina Pereira Ruas, Denise Lopes da Silva, Saulo Rodrigues Costa, Luciano José Minette, Denise Ransolin Soranso

Abstract


O trabalho florestal é classificado como de elevado risco de acidentes e desenvolvimento de doenças ocupacionais aos trabalhadores. Embora sob tal condição, os riscos biológicos quase sempre eram inexistentes ou muito baixos na totalidade das atividades florestais, não sendo necessária a aplicação de protocolos para sua mitigação. Tal realidade muda drasticamente com o surgimento da pandemia mundial do COVID-19, o que leva a situações que aumentam o risco de contágio nos locais de trabalho. Isso em um cenário onde os trabalhadores florestais são transportados em longas distâncias até seus locais de trabalho, se revezam em máquinas e veículos operacionais, realizam suas refeições em conjunto, bem como treinamentos e capacitações, ou seja, situações nas quais o distanciamento social não era uma rotina e as especificidades do trabalho eram contrárias aos protocolos de enfrentamento da pandemia. Deste modo, este estudo tem como objetivo o desenvolvimento de um protocolo de biossegurança para trabalho seguro em operações florestais, não expondo os trabalhadores a risco de contaminação pelo COVID-19, ou minimizando esse risco. Através do estudo e implementação de medidas de biossegurança aplicáveis a realidade do trabalho florestal, busca-se ações capazes de prevenir, controlar, mitigar ou eliminar os riscos inerentes às atividades que possam interferir ou comprometer a qualidade de vida, a saúde humana e o meio ambiente. Assim, conforme a especificidade e a disponibilidade de recursos de cada empresa ou produtor florestal, são propostas medidas como: desenvolvimento e implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos; utilização de tapetes com solução sanitizante; aferição da temperatura corporal dos trabalhadores antes e ao término da jornada de trabalho; distanciamento de 2,0 metros entre os trabalhadores durante o desenvolvimento de suas atividades; transporte de trabalhadores em ônibus com metade dos assentos livres; flexibilização do horário de refeições; cabines de ozônio nas entradas das frentes de serviço; utilização de luz ultravioleta para desinfestação das cabines de máquinas e ônibus de transporte de pessoal, ou higienização das mesmas com pulverização manual de solução sanitizante; e, quando necessário e possível, a testagem rápida dos trabalhadores. Conclui-se que tais medidas de biossegurança, implementadas isolada ou conjuntamente, são fundamentais para conter uma possível disseminação do COVID-19 nos ambientes de trabalho florestal, de forma que estes não apresentem elevado grau de riscos biológicos aos trabalhadores e garantindo a preservação de sua saúde, bem como de seus familiares.

 

 


Keywords


Biossegurança, Risco biológico, Saúde do trabalhador, Trabalho florestal.

References


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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n1-043

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