Uma crítica à infância medicalizada e judicializada pelo UNICEF / A criticism of children medicated and judicialized by UNICEF

Flávia Cristina Silveira Lemos, Michelle Ribeiro Correa, Alanna Caroline Gadelha Alves, Melina Navegantes Alves, Daniel Castro Silva, Anderson Reis de Oliveira, Iasmin Lins Emim

Abstract


Este artigo visa problematizar as práticas de medicalização e judicialização da vida de crianças e adolescentes brasileiras pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), no presente. Esta proposta é parte de pesquisas realizadas, ao longo dos últimos anos, no Brasil, sob financiamento do CNPQ. Alguns resultados dos estudos documentais e históricos realizados são abordados e analisados neste artigo com o recorte dos mecanismos denominados de medicalização e judicialização dos corpos e das subjetividades no contemporâneo. O UNICEF materializa práticas de promoção, defesa e garantia de direitos que estão sustentadas por racionalidades médico-psicológicas, biomédicas e jurídico-assistenciais baseadas em pressupostos de saber e de poder disciplinares, biopolíticos e de segurança. Portanto, busca-se pensar a interrogação destes mecanismos e criar outros modos de ser, sentir, agir e produzir modos de viver que não fiquem presos ao modelo disciplinar, biopolítico e securitário.

 

 


Keywords


Crianças e Adolescentes; Medicalização; Judicialização; UNICEF; Psicologias.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n11-458

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