Frequência de coliformes termotolerantes em praias do litoral potiguar (Rio Grande do Norte, Brasil) / Coliforms thermotolerant’ frequency in Rio Grande do Norte state (Brazil)

Amanda Carla Batista Querino da Rocha, André Luis Calado Araújo, Ronaldo Angelini

Abstract


O desenvolvimento do turismo no Brasil está relacionado com os seus recursos naturais, incluindo as praias do litoral nordestino, onde há uma preocupação crescente com a sua balneabilidade, ou seja, com a qualidade das águas das praias para recreação. Os impactos mais comuns nos ambientes costeiros são causados por deficiências em saneamento básico e pelo uso e ocupação desordenados do solo, que acarretam o lançamento de contaminantes no mar, afetando a saúde pública. Considerando que os coliformes termotolerantes (antes conhecidos como fecais) são os indicadores básicos para a classificação das praias quanto à balneabilidade, este trabalho tentou entender a dinâmica de concentrações de coliformes termotolerantes nas praias do Rio Grande do Norte entre 2010 e 2016, propondo um Índice de Balneabilidade (BALI) que resume, baseado em aspectos físicos e visuais, as condições sanitárias e ambientais das praias. Os resultados mostram que: i) 7% das amostras apresentam concentrações de microorganismos acima do limite tolerado (1000 NMP/100ml); ii) não há nenhum padrão na dinâmica temporal de coliformes; iii) todos os pontos apresentaram alta variação em relação à média; iv) praias próximas a desembocaduras de rios têm maior frequência de concentrações elevadas de coliformes, especialmente no rio Potengi, com 25% das amostras acima de 1000 NMP/100ml; v) as relações entre precipitação pluviométrica e concentração de coliformes termotolerantes não são fortes (r < 0,369), mas são significativas, sendo que as chuvas acumuladas entre um e três dias apresentam maiores valores do que entre cinco e sete dias; vi) o índice proposto (BALI) teve baixos valores apenas para a cidade do Natal e em geral também mostrou baixa correlação com as concentrações das bactérias analisadas. Nossa principal conclusão é que praias próximas a rios têm de ser evitadas pelos banhistas, além disso, há baixa frequência de contaminação das praias analisadas (<5% dos dias do ano). Mesmo assim, há deficiência em saneamento, e necessidade de adequação de resíduos sólidos, nas praias de Ponta Negra, Praia dos Artistas e Redinha (todas localizadas em Natal), o que garantiria maior segurança à saúde dos banhistas.


Keywords


Balneabilidade. Qualidade da água. Índice. Turismo. Impacto Ambiental.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n11-320

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