“Lagoa Santa, contribuição para a geografia fitobiológica” e a construção acadêmica do (os) cerrado (s): discussões de Peter Lund e Eugenius Warming sobre a origem do cerrado/ “Lagoa Santa, et Bidrag til den biologiske Plantegeografi” and the academic construction of (the) cerrado (s): Peter Lund and Eugenius Warming discussions on the cerrado origin

Ubiranan Pereira de Lucena, Júlia Campolina de Sá Araujo

Abstract


No século XIX, Peter Lund, médico pela Universidade de Copenhague, fez duas viagens ao Brasil. A segunda viagem de Peter Lund, através de São Paulo, Goiás e Minas Gerais, também seria importante para a definição do cerrado como uma formação vegetal complexa, que apresenta fitofisionomias de campos e de vegetação arbórea-arbustiva diferenciada das florestas tropicais. Lund também escreveu um tratado sobre vegetação “Bemaekninger over Vegetationen paa de indre Höisletter af Brasilien, isaer i plantehistorik Henseende”. Outra grande contribuição de Lund para a fitogeografia do cerrado brasileiro, foi a viagem de Eugenius Warming para o Brasil (1863-1866). Estudante da Universidade de Copenhague, Warming é indicado por Johannes Theodor Reinhardt (1816-1882), para trabalhar em Lagoa Santa auxiliando na organização das coleções de fósseis de Lund. Warming tem como área de estudos um raio de 15 km no entorno de Lagoa Santa (área central de Minas Gerais), e a Serra da Piedade (extremo nordeste do Quadrilátero Ferrífero, na atual cidade de Caeté, Minas Gerais), o livro Lagoa Santa, et Bidrag til den biologiske Plantegeografi publicado na Dinamarca em 1892, ainda se mostra útil para a composição de um diálogo com os autores do século XX e XXI, pois as suas observações da origem da vegetação ainda são sensatas e pertinentes. O tratado de Peter Lund ainda é um dos primeiros documentos que discutem as alterações antrópicas no cerrado


Keywords


fitogeografia, biogeografia histórica, cerrado, Warming, Lund.

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DOI: https://doi.org/10.34117/DOI:10.34117/bjdv6n11-156

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