A visão de um grupo de fonoaudiólogos acerca da prancha de Comunicação Alternativa/The view of a group of speech therapists about the alternative communication board

Simone Infingardi Krüger, Franciele da Silva Wilczak, Simona Miléo Squeira, Adriana Branco Scorsato, Ana Paula Berberian

Abstract


Introdução: A fala é a modalidade de linguagem priorizada na maioria das relações sociais. Logo, em interações onde o discurso oral torna-se limitado ou inviável, outras manifestações de sujeitos com a fala comprometida devem ser colocadas em funcionamento. Assim, a Comunicação Suplementar e/ou Alternativa (CSA) dispõe o uso de recursos, estratégias e técnicas que proporcionam a pessoas com limitações orais maior autoria em seus discursos por meio das pranchas de Comunicação Alternativa (CA). Objetivo: Analisar a visão de um grupo de fonoaudiólogos acerca de conhecimentos e usos referentes às pranchas de CA e refletir sobre concepções de linguagem. Método: A partir de um curso de extensão ministrado em uma Universidade particular, aplicou-se um questionário semi-estruturado para 11 fonoaudiólogos que atuam com sujeitos com restrições de fala. Resultados: Prevalece uma visão de linguagem como código de comunicação entre as respostas dos participantes, verificou-se igualmente a predominância da concepção da prancha como instrumento de comunicação e expressão de necessidades. Em contraponto, constatou-se que parte dos fonoaudiólogos concebem tal recurso como mediador das relações sociais e da aprendizagem. Conclusão: Compete ao fonoaudiólogo uma perspectiva teórica que lhe permita ver a linguagem em seu funcionamento e em sua subjetividade, oferecendo elementos para o avanço das abordagens terapêuticas. A função mediadora da prancha deve ir além de comunicar desejos e necessidades, visando ampliar as interações dialógicas, o desenvolvimento da linguagem e do conhecimento de pessoas com a fala comprometida.


Keywords


Auxiliares de Comunicação para Deficientes, Prancha de Comunicação Alternativa, Fonoaudiologia, Linguagem.

References


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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n10-713

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