Sindrome da artéria mesentérica superior: sintopias e correlação clínica / Upper mesenteric artery syndrome: synthesies and clinical correlation

Aline Maria Fatel Da Silva Pires, Agatha Prado De Lima, José André Bernardino Dos Santos

Abstract


1 INTRODUÇÃO

A artéria mesentérica superior (AMS) é um grande vaso que irriga a maior parte do intestino delgado e grosso. Origina-se da superfície ventral da aorta, normalmente com um ângulo variando de 25º a 60º, em relação à própria aorta, em nível da primeira vértebra lombar. É cruzada pela veia esplênica, colo do pâncreas, acompanhada da veia mesentérica superior e rodeada pelo plexo nervoso mesentérico. A síndrome da artéria mesentérica superior (SAMS) é uma doença rara, primeiramente documentada no século XIX, por Rokitansky. É caracterizada anatomicamente por uma anormalidade no ângulo entre a aorta abdominal à porção proximal da artéria mesentérica superior, que varia entre 6 e 16 graus. Vários mecanismos estão associados a essa alteração. A perda do tecido adiposo mesentérico é um deles, causando a compressão da terceira porção do duodeno pela AMS, o que resulta na obstrução crônica ou aguda deste segmento. Os sintomas característicos são perda de peso, dor epigástrica, náuseas e vômitos. Por apresentar sinais e sintomas semelhantes a outras patologias que acometem o trato gastrointestinal, o diagnóstico da SAMS torna-se difícil. Com base nesse conhecimento, o presente estudo tem como objetivo demonstrar, através da revisão literária, a relação sintópica da AMS, a fisiopatologia e o seu tratamento.

 

2 MATERIAIS E MÉTODOS

Através da revisão de literatura sistemática foram analisados e revisados artigos científicos e livros de Anatomia Humana.

 

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A síndrome da artéria mesentérica deve ser considerada pelo médico, quando o paciente apresentar queixa com dor abdominal pós-prandial, anorexia, vômitos e perda de peso. A maior parte dos artigos estudados revelou que a forma aguda é a mais comum, sendo melhor diagnosticada pela tomografia computadorizada ou a ressonância magnética, as quais fornecem imagens precisas. Além disso, foi defendido na literatura o tratamento cirúrgico como melhor forma de restaurar o ângulo entre a aorta e a artéria mesentérica superior, sendo possível também um tratamento clínico conservador, inicialmente.

Os relatos de caso de pacientes que apresentam a SAMS permitiram esclarecer que tanto na faixa etária de 12 a 17 anos como na faixa etária de 20 a 60 anos, os indivíduos do sexo feminino foram os mais acometidos. No entanto, na faixa etária maior de 70 anos, os homens superaram as mulheres numa proporção de 2:1. Dessa forma, este estudo conclui que as mulheres são as mais acometidas pela síndrome da artéria mesentérica superior. Acrescenta-se, ainda, que dentre todos os pacientes relatados na literatura, 23 passaram por uma duodenojejunostomia bem-sucedida, sendo que dois deles tentaram inicialmente o tratamento clínico. Este baseia-se em porções alimentares pequenas via nasogástrica e o posicionamento em decúbito lateral esquerdo após as refeições. Todavia, não houve sucesso no tratamento conservador desses pacientes, partindo para o tratamento cirúrgico.

Além disso, dois pacientes evidenciaram melhora após o uso da sonda parenteral e enteral, porém não há nada a respeito do tratamento definitivo. Um paciente se recuperou totalmente apenas com o tratamento clínico e, os demais pacientes, não tiveram suas medidas terapêuticas reveladas. Portanto, a duodenojejunostomia é o tratamento mais adequado em caso de falhas do tratamento clínico. Foi constatado, também, a relação da SAMS com a síndrome do quebra nozes (SQN). A SNQ ocorre quando a veia renal é comprimida pela artéria mesentérica superior, causando hematúria e anemia grave; além de dor lombar e varicocele. Porém, muitas vezes, é subdiagnóstica devido à baixa frequência. Nesse caso, para a SAMS foi indicado o tratamento conservador e para a SQN foi proposta a transposição da veia renal. Por fim, foi analisado a semelhança sintomática da SAMS com a gastroparesia diabética em pacientes com doença de Graves, sendo difícil a discriminação entre as duas. Essa analogia existe pelo fato do hipertireoidismo da doença de Graves causar perda de peso acelerada causando cetoacidose diabética. Assim, o profissional médico deve considerar a existência da SAMS em pacientes que apresentem perda de peso aguda, particularmente associada a hipertireoidismo, cetoacidose diabética e anorexia nervosa.


Keywords


Síndrome da artéria mesentérica superior, Obstrução duodenal, Feminino.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n10-634

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