As jornadas de agroecologia da Bahia: a sua relevância como espaços de educação não formal / Bahia's agroecology days: their relevance as spaces of non-formal education

Carlos dos Santos Viana, Arlete Ramos dos Santos, Igor Tairone Ramos dos Santos, Emerson Antônio Rocha Melo de Lucena, Diego Pita Ramos, Marcelino Pinheiro dos Santos

Abstract


A crise na lavoura cacaueira levou o Sul da Bahia a mudanças significativas em suas bases produtivas no campo, principalmente no que diz respeito ao acesso à terra e nas relações de trabalho no campo e na cidade. No entanto, os povos tradicionais e o campesinato apresentaram dentro desse contexto histórico ações contra-hegemônicas, dentre as quais destacamos a I Jornada de Agroecologia da Bahia, que reuniu diversas comunidades de povos tradicionais, agricultores familiares, indígenas, acampados e assentados, pescadores, mulheres, juventude, movimentos sociais e entidades pensaram em criar um espaço permanente e, por isso, constituíram uma rede chamada Teia de Agroecologia dos Povos (Teia dos Povos). Os principais objetivos desse trabalho foram identificar e mapear de que forma as Jornadas Agroecologias da Bahia se caracterizam enquanto práticas vinculadas à conceituação da Educação Não Formal. O presente estudo se caracteriza como uma pesquisa qualitativa, cujo o seu o método de abordagem se deu por meio do estudo de caso, onde as informações analisadas nesta pesquisa se deram mediante vivência de campo, com dados levantados a partir de fontes primárias, por meio da participação em reuniões, através do procedimento da técnica de observação estruturada, direta e participante, complementadas por uma a pesquisa bibliográfica/documental, utilizando como fonte os documentos internos da Teia dos Povos. Com base nos resultados aqui obtidos, foi possível descrever e observar as dinâmicas dos espaços onde e como foram ocorridas algumas práticas educacionais, identificando-os como espaço de “Educação Não Formal”, com base, inclusive, em conceitos e abordagens contidas em diversos outros estudos. A Teia dos Povos originou-se a partir dos diálogos continuados da I Jornada de Agroecologia da Bahia, realizada no ano de 2012, no Assentamento Terra Vista, em Arataca-BA. Criada e organizada até os dias atuais em formato de rede, possui o papel de traçar a agenda de ações anuais que auxiliam no empoderamento, desenvolvimento e emancipação das comunidades e elos que a integram. Estes espaços não formais têm cunho político e pedagógico de instrumentalização dos povos do campo, que diante destes momentos durante a realização dessas jornadas pensam não só um campo a partir de suas práticas agroecológicas, mas também, tal campo como um espaço de reprodução das condições sociais e culturais e da vida como um todo. Com base nos resultados aqui obtidos podemos concluir que a Teia dos povos é um importante espaço onde ocorre as interações entre os diversos povos, cada um  com suas práticas, tradições e vivências,  criando este e neste relevante espaço, denominado “a Teia dos Povos”,  um fórum popular e classista onde acontece um amplo debate, um relevante espaço de vivência e de Educação Não Formal, proporcionando dentre outras coisas,  uma discussão profunda da necessidade de uma proposta de Educação própria e contra-hegemônica, tendo como uma das suas principais bases, a Agroecologia.


Keywords


Educação não formal, Jornadas de agroecologia, Teia dos Povos.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n10-277

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