Sinceridade no Discurso Organizacional e na Produção Científica da Administração: Todos Falam a Mesma Língua da Sustentabilidade? / Sincerity in the Organizational Discourse and in the Scientific Production of Management: Do All Speak the Same Language of Sustainability?

Antonio Cloves Silva, Gilson Martins Mendonça

Abstract


O presente artigo examina a visão que as empresas têm sobre a sustentabilidade, a partir do discurso presente em suas peças publicitárias. O discurso organizacional sobre a sustentabilidade, assim como o posicionamento que a empresa tem diante do tema, encontra seu reflexo nas propagandas organizacionais. O objetivo dessa pesquisa é verificar se a literatura científica da área de administração e as propagandas organizacionais utilizam o mesmo conceito de sustentabilidade. São recorrentes dois pontos importantes na estrutura conceitual de sustentabilidade que é a necessidade e a ideia de limitação ao ambiente. Parte das empresas pensa que a sustentabilidade e suas exigências estão no futuro. O alcance da auto-organização é factível pelas organizações atuais. Essa prática empresarial sustentável remonta um novo paradigma – o sócio-ambiental. Com isto, as organizações ficaram mais aptas a entender e participar de mudanças estruturais direcionadas à sustentabilidade. O uso do termo desenvolvimento sustentável por empresas do setor de energia, petroquímica, mineração e siderurgia é bastante expressivo, setores estes cujas atividades mais impactam no meio ambiente, daí a estratégia de equilibrar informações desfavoráveis e favoráveis utilizando-se da lógica de argumentação. A análise também revela que o termo sustentabilidade está sempre ligado a ações relacionadas ao produto final da empresa. O discurso se torna sensível quando trata das futuras gerações e principalmente quando essa expressão aparece associada a imagens de crianças personificando as gerações futuras. O estudo revela que não há similaridade entre a visão acadêmica e a empresarial sobre sustentabilidade. Essas visões apresentam polos distintos.


Keywords


sustentabilidade ambiental, discurso, estratégia empresarial

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n10-224

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