Crescimento e germinação de sementes de biótipos de Salicornia neei Lag. adaptadas às condições do semiárido Nordestino / Growth and germination of Salicornia neei Lag biotype seeds adapted to the conditions of the Northeastern semiarid

Ane Teles Reis, Luana Lima Guimarães, Paulo Ricardo Alves, César Serra Bonifácio Costa, Eliseu Marlônio Pereira de Lucena, Oriel Herrera Bonilla

Abstract


O Nordeste do Brasil é uma região afetada pela seca, problema agravado pelas ações humanas, trazendo graves consequências a sociedade, a biodiversidade e as atividades agrícolas. Neste sentido, o aspargo marinho Saliconia neei pode se tornar uma saída pelos diversos usos que a planta apresenta. No Nordeste brasileiro encontramos grandes extensões continentais de áreas salinizadas, onde o aspargo marinho pode representar uma alternativa ecológica, econômica e de produção de biomassa para os rebanhos assim como em programas de fitorremediação envolvendo recuperação de solos degradados. Neste estudo a germinação de sementes de progênies BTH1 do Rio Grande do Sul, além de biótipos com caules prostrados e decumbentes selecionados de cultivos no município de Ocara-Ceará foi comparada. Adicionalmente, o crescimento de plantas do biótipo decumbente de Ocara foi avaliado em diferentes concentrações salinas em casa de vegetação. As sementes das progênies BTH1 do RS demonstraram a maior taxa de germinação média de 63,5%. Apenas 35% das sementes do biótipo com caule prostrado de Ocara obtiveram êxito na germinação ao fim do experimento. As plantas do biótipo decumbente de Ocara cultivadas em substrato vermiculita obtiveram TCR 45% maior na concentração de 300 mmol NaCl L-1 do que as do grupo controle crescendo na ausência de sal. Em relação aos parâmetros analisados pelo peso das plantas o conteúdo de água mostrou-se semelhante ao crescimento das plantas.  O teor de cinzas (matéria inorgânica) da planta aumentou diretamente relacionado com o aumento das concentrações salinas no cultivo.


Keywords


halófita, biorremediação, salinização, seca.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n10-121

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