Unidade de uso sustentável: a superação da visão romântica meramente contemplativa, pela prevalência da razão e do utilitarismo, com a consequente antropocentrização da ética ambiental / Sustainable use unit: overcoming the merely contemplative romantic vision, due to the prevalence of reason and utilitarianism, with the consequent anthropocentrization of environmental ethics

José Henrique Rodrigues Machado, Helena Novak Manrique, Ledyane Munique Rosa de Melo

Abstract


O presente trabalho tem como intento abordar o grupo das Unidades de Conservação, de Uso Sustentável, enquanto consolidação e oposição ao ideário romântico preponderante na época da criação do primeiro espaço territorial especialmente protegido no mundo, o Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos da América, em 1872. Em uma abordagem Dialética hegeliana, expões noções contrárias, até, enfim, nos dias atuais, um modelo socioambiental, predominantemente antrópico, guiado por uma noção instrumental da Natureza. Para isso, foram considerados dois recortes factuais, a criação do referido Parque e a entrada em vigor da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, que por sua vez inaugurou a figura das Unidades de Uso Sustentável, prevendo a flexibilização do uso dos recursos ambientais dos espaços territoriais especialmente protegidos, e a possibilidade de ocupação e permanência das comunidades tradicionais em seus interiores, sem contudo inviabilizar a conservação, autorizando somente o uso racional dos recursos, pautado no ideal de sustentabilidade.

 


Keywords


Unidade de uso sustentável. Conservação. Sustentabilidade. Socioambiental

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n10-115

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