Migração Norte/Nordeste para a Amazônia Oriental / North/Northeast Migration to Eastern Amazonia

Cleide Pereira dos Anjos

Abstract


O presente trabalho tem como problemática a relação entre a migração Norte-Nordeste para as regiões Sul e Sudeste do estado do Pará e a criação da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) nos governos Lula-Dilma (2002-2016). Desta forma, o objetivo é compreender que conexão existe entre as dinâmicas migratórias das regiões Norte-Nordeste para as regiões Sul e Sudeste do Pará e a criação da Unifesspa. Como resultados preliminares, têm-se um Estudo de Caso com pesquisa bibliográfica, aplicação de questionários aos (as) alunos (as) da referida universidade, sendo uma turma por curso e realização de entrevistas semiestruturadas com sujeitos das instâncias governamentais, diretamente relacionadas com a criação da Unifesspa. A dinâmica regional amazônica de desenvolvimento ocorreu a partir de formas centralizadas de apropriação de seu território, dentro de uma política de territorialização do capital e expansão do capitalismo. De acordo com Loureiro (1992), receando uma intervenção internacional, o governo militar do Presidente Médici (1969-1974) decide concretizar um projeto territorial de integrar a Amazônia ao restante do Brasil. O lema ideológico “homens sem terra para terras sem homens” criou a solução perfeita para resolver o problema da seca no Nordeste e povoar a Amazônia, criou-se para isso o Programa de Integração Nacional (PIN) de caráter geopolítico, pelo governo militar, através do decreto-lei 1.106 de 16 de julho de 19 70. Isso se constituía como uma ação territorial pública, através da criação das frentes pioneiras, Mello (2006); A partir do PIN, implementaram-se os Planos Nacionais de Desenvolvimento I e II (PND I e II). O conceito de território na pesquisa é o de Santos e Silveira (2008), onde se entende território como uma extensão apropriada e usada. Hebétte (2004) caracteriza este fenômeno da migração em massa de nordestinos como a mobilidade da força de trabalho, num contexto de expansão do capitalismo e territorialização do capital (Heidemann, Toledo e Boechat, 2018), como meio de produção internacionalmente dominante. A partir desta política é que é criado o lema “integrar para não entregar” e ocorre a abertura da rodovia Transamazônica como a principal via de comunicação e de colonização regional. Ratzel (1990) concebe o Estado como organismo territorial, referência ao seu papel de articular o povo ao solo, por meio de políticas territoriais. Dele se origina o termo geopolítica que é o pensamento ideológico do Estado. Assim, pretende-se investigar o fenômeno da migração Norte-Nordeste no contexto da criação da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA) como mais uma política de modernização do território, e como perspectiva de desenvolvimento da região, sustentada por propostas que promovam a dignidade humana, através da educação.


Keywords


Migração, Território e Educação.

References


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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n10-109

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