Adequabilidade da orientação sobre métodos de anticoncepção por enfermeiros no pós – abortamento / Adequability of guidance on post-abortion nursing cantraception methods

Juliana Gomes de Souza, Dielly Di Santos Severo, Arthur Ribeiro Severo, Carla Cristina Chaves de Oliveira, Nayane de Sousa Silva Santos, Daniella Pires Nunes, Tiago Barreto de Castro e Silva, Danielle Rosa Evangelista

Abstract


RESUMO

Introdução: O aborto é uma prática que, no Brasil, ocorre com acompanhamento da equipe no Sistema Único de Saúde às mulheres cujas gestações se enquadram nos três casos previstos em lei: risco de morte, violência sexual e anencefalia. Tal restrição não coíbe práticas clandestinas e inseguras, mantendo a mortalidade materna em índices elevados, considerando o abortamento como um importante problema de saúde pública. O enfermeiro, ao acolher a mulher, deve atentar-se para as especificidades do atendimento, prestando o cuidado de forma integral, orientando-a para o Planejamento Reprodutivo para gravidezes planejadas e redução de episódios de aborto provocado. Objetivo: Avaliar a adequabilidade das orientações sobre anticoncepção oferecida por enfermeiros para mulheres em situação de pós-abortamento. Método: Estudo transversal, descritivo – exploratório realizado em maternidade pública, localizada em Palmas, Tocantins. A amostra foi constituída por 15 enfermeiros que atuam no referido hospital, sendo realizada a coleta dos dados no período de Dezembro de 2016 a Fevereiro de 2017 por meio de entrevista semiestruturada, seguindo formulário pré-estabelecido. Para avaliar a adequabilidade na assistência do enfermeiro, utilizou-se uma escala tipo likert  que conta com cinco itens para avaliação da adequabilidade da assistência: 1. Não Adequada; 2. Levemente Adequada; 3. Moderadamente Adequada; 4. Substancialmente Adequada e 5. Completamente Adequada. Para cada grupo de método anticoncepcional citado pelo enfermeiro, ele receberia pontuação e esta pontuação definiria o nível na escala. Os aspectos éticos em pesquisa envolvendo seres humanos foram respeitados. Resultados: Dos 15 enfermeiros, 14 (93%) eram do sexo feminino. A idade média foi de 37,5±8,4 anos. O tempo de atuação na assistência pós-abortamento foi de 3,5±2,8 anos. Os métodos de barreira e cirúrgicos foram os mais orientados, com 13 (86%) e 12 (80%) respectivamente.  Quanto ao nível de adequabilidade de orientação sobre métodos disponíveis, 2 (13,3%) foram classificados como não adequada, 5 (33,3%) mostraram-se com uma orientação levemente adequada, 4 (26,6%) classificados com moderadamente adequada, 3 (20%) orientaram de forma substancial e 1 (6,6%) obteve uma orientação completamente adequada, ou seja, afirmou orientar todos os setes grupos de métodos anticoncepcionais disponíveis. Conclusão: O estudo evidenciou que a assistência oferecida no Planejamento Reprodutivo com enfoque na anticoncepção para mulheres em situação de pós-abortamento apresenta fragilidades e precisa melhorar para assim garantir às mulheres seus direitos sexuais e reprodutivos. Destaca-se a importância de receber informações sobre todos os métodos de anticoncepção disponíveis, bem como a eficácia, modo de uso, efeitos colaterais e complicações. Implicações para Prática: A equipe precisa incorporar a atenção em anticoncepção como uma ferramenta importante do cuidar das mulheres. Que estratégias de educação permanente possam apoiar esses profissionais a sentirem-se seguros para esta atuação.

 


Keywords


Aborto. Anticoncepção. Cuidados de enfermagem.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n9-371

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