Análise da Adesão ao Tratamento dos Parceiros Sexuais de Gestantes com Sífilis Gestacional, na Região do ABC Paulista / Analysis of Adherence to the Treatment of Pregnant Sexual Partners with Gestational Syphilis, in the ABC Paulista Region

Mariana Pagnussat, Letícia Pereira Assis, Amanda Paz Loca, Cristiano de Freitas Gomes, Juliana Cristina Marinheiro, Thaissa de Souza

Abstract


Introdução e Objetivos: A sífilis congênita ocorre quando há disseminação hematogênica do Treponema pallidum, da gestante para o concepto. Estima-se a taxa de transmissão vertical de 70 a 100% nas gestantes não tratadas. Fatores que influenciam nessa transmissão da sífilis incluem carga treponêmica, estágio da doença e período de exposição ao feto. Em 40% dos casos de sífilis congênita ocorre morte fetal ou perinatal. Entre os nascidos vivos, as manifestações variam de prematuridade, lesões cutâneas, sofrimento respiratório e problemas ósseos e neurológicos.

O tratamento consiste na aplicação de uma a três doses de penicilina G benzatina na gestante e no parceiro. Gestantes tratadas de forma adequada podem se re- infectar, caso o parceiro não seja aderente ao tratamento.

Este trabalho tem como objetivos apresentar as taxas de tratamento de sífilis em parceiros sexuais de gestantes, que realizaram pré-natal de 2007 a 2016, nas cidades do ABC Paulista. Comparar esses resultados com os apresentados para o Estado de São Paulo e Brasil.

Materiais e Métodos: Foram analisados retrospectivamente e quantitativamente dados publicados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) referentes à sífilis congênita e gestacional e o tratamento dos parceiros sexuais de gestantes no ABC Paulista, no período de 2007 a 2016. Os resultados foram comparados com os apresentados para o Estado de São Paulo e Brasil.

Resultados e Discussão: No período analisado, foram notificados 2968 casos de sífilis gestacional e 1516 de sífilis congênita nas cidades do ABC Paulista. As maiores prevalências foram observadas em gestantes de Diadema (1,22%), Mauá

(0,9%), São Bernardo do Campo (0,87%) e, Santo André (0,62%). As cidades de Ribeirão Pires (0,3%), São Caetano do Sul (0,26%) e Rio Grande da Serra (0,23%), apresentaram menores taxas.

Ao analisarmos dados referentes ao tratamento dos parceiros sexuais observamos que nenhuma das cidades apresentam resultados satisfatórios. Em São Caetano do Sul 26% dos parceiros foram tratados. Ribeirão Pires (23%) e Santo André (17%) e apresentam taxas de tratamento maiores que as médias do Estado de São Paulo (16%) e Brasil (13,9%). Os piores resultados são observados em Mauá (12%), Diadema (5,2%) e São Bernardo do Campo (4,5%), todas com taxas menores que as médias estadual e nacional.

O não tratamento do parceiro sexual da gestante infectada aumenta a probabilidade de transmissão da sífilis ao feto. Diadema, Mauá e São Bernardo são as cidades que apresentam a maior prevalência de sífilis congênita, no período analisado.

Conclusão: É possível concluir que a taxa de tratamento de parceiros sexuais de gestantes com sífilis não é satisfatória em nenhuma das cidades do ABC Paulista. As cidades de Mauá, São Bernardo do Campo e Diadema apresentam as piores taxas de adesão ao tratamento da sífilis nos parceiros, menores do que as médias estaduais e nacionais e tem também proporcionalmente uma maior prevalência de sífilis congênita.


Keywords


Sífilis, prevenção & controle, doenças sexualmente transmissíveis.

References


BRASIL. Ministério da Saúde. PROTOCOLO CLÍNICO E DIRETRIZES TERAPÊUTICAS PARA PREVENÇÃO DA TRANSMISSÃO VERTICAL DE HIV, SÍFILIS E HEPATITES VIRAIS. 2018.

BRASIL. Ministério da Saúde. Boletim epidemiológico Sífilis - 2016.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n9-332

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