Violência urbana e suas representações sociais / Urban violence and its social representations

Adelcio Machado dos Santos, Adriana Silva

Abstract


A violência urbana é um fenômeno presente em várias cidades do país, afetando uma grande massa da sociedade nacional. Diariamente os telejornais divulgam notícias de assassinatos, sequestros, assaltos, entre outros tipos de infortúnios, provocando enormes desgastes sociais e descontentamento por parte dos cidadãos. Este artigo resulta de uma reflexão sobre a violência urbana e suas representações sociais instaladas no Brasil. Como forma de pesquisa, foi utilizada a revisão integrativa da literatura, a partir de fontes secundárias publicadas sobre o tema encontradas nas bibliografias. A evolução humana não se dá por estruturas ou caminhos predeterminados, mas sim, pela determinação de seus próprios ensejos, que nascem do encontro dos indivíduos, dos grupos sociais, das diferentes culturas. Diante deste contexto, surgem as representações sociais que edifica sua tese na construção do cotidiano de cada cidadão, buscando entender suas lutas, seus espaços, suas formas de comunicação e o que eles produzem de saberes, com foco nos comportamentos e experiências sociais. A violência urbana é qualificada como sendo aquela que fere os princípios que regem nossa legislação. As suas causas são as mais diversas, podendo citar como exemplos, a desigualdade social, infraestrutura precária, baixos salários, desemprego, invisibilidade, dentre outros. Dessa forma, as representações sociais buscam entender focos macrossociais, incluindo os novos contextos de sociabilidade que desafiam os mecanismos de controle social, de segurança e mudanças culturais. Conclui-se que a sociedade brasileira pode estar diante de novas formas de sociabilidade, que incluem a violência como forma de estruturação do social e de solucionar tensões e conflitos.


Keywords


Violência Urbana, Representações Sociais, Controle Social.

References


AJZEN, I. Nature and operation of attitudes. Annual Review of Psychology, v. 52, n. 1, p. 27-58, Fev 2001.

ARENDT, Hannah. A condição humana. Tradução de Roberto Raposo. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007. 474 p.

ARON, Raymond. Etapas do Pensamento Sociológico. Tradução de Sérgio Bati. São Paulo: Martins Fontes, 2002. 579 p.

AZEVEDO, R. G. Sistema penal e violência de gênero: análise sociojurídica da Lei 11.340/06. Sociedade e Estado, Brasília, v. 23, n. 1, p. 113-35, Jan/Abr 2008.

BAUDRILLARD, Jean. A transparência do mal: ensaio sobre fenômenos extremos. 7. ed. Campinas: Papirus, 1990. 157 p.

BERGMANN, M. M. Social representations as mothers of all behavioural pre-dispositions? Notes on the relations between social representations, attitudes and values. PSR, n. 7, p. 77-83, Jan 1998.

BREAKWELL, G. M. Social representations and social identity. Papers on Social Representations, v. 2, n. 3, p. 1-27, 1993.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 13. ed. Tradução de Bernardo Tomaz. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001. 322 p.

DURKHEIM, Emilio. La división del trabajo social. Madrid: Daniel Jorro, 1928. p. 57- 81; p. 123-29.

DUGUIT, Leon. Fundamentos do Direito. Tradução de Márcio Pugliesi. São Paulo: Ícone, 1996. p. 25-26.

DUVEEN, G.; ROSA, A. Social representations and the genesis of social knowledge. Papers on Social Representations, PSR, v. 1, p. 94-108, Jan 1992.

FERNANDES, J. S. G.; ANDRADE, M. S. Representações sociais de idosos sobre velhice. Arq. bras. psicol., v. 68, n. 2, p. 48-59 Ago 2016.

GUARESCHI, P. A. Representações sociais: alguns comentários oportunos. In: NASCIMENTO-SCHULZE, C. M. (org.). Novas contribuições para teorização e pesquisa em representação social. Florianópolis: Coletâneas da ANPEPP 10, 1996. p. 9-35.

GASTALDO, Edílson; BRAGA, Adriana. A Escola de Chicago e a história dos estudos de comunicação no Brasil. In: LIMA, João C.G. R.; MELO, José M. (org.). Panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil: 2012/2013 – Memória. v. 4. Brasília: IPEA, 2013. p. 33-51.

JODELET, Denise. Reflection sur le traitement de la notion de representation sociale. In: JODELET, Denise (org.). Les Representations Sociales. Paris VI, (2-3), 1984. p. 15-41.

JODELET, Denise. La representación social: fenómenos, concepto y teoría. In: MOSCOVICI, Serge (ed.). Pensamiento y vida Social. Psicología Social y Problemas Sociales. Barcelona: Paídos, 1986. p. 469-94

JOVCHELOVITCH, Sandra. Representações sociais e esfera pública: a construção simbólica dos espaços públicos no Brasil. Petrópolis: Vozes, 2000. 232 p.

KOPNÍN, Pavel Vasílievich. A dialética como lógica e teoria do conhecimento. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. 354 p.

LENHARD, Rudolf. Sociologia educacional. 4. ed. rev. São Paulo: Pioneira, 1978. 198 p.

LIPIANSKY, Edmond Marc. Représentation sociales et idéologies. Analyses conceptuelles. In: AEBISCHER, Verena; DECONCHY, Jean-Pierre; LIPIANSKY, Edmond Marc. (eds). Idéologies et représentations sociales. Cousset: Delval, 1991. p. 35-63.

MAFFESOLI, Michel. A dinâmica da violência. Tradução FRANÇA, Cristina M. V. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, Edições Vértice,1987. 162 p.

MENEGHETTI, Antônio. Dicionário de Ontopsicologia. 2. ed. Recanto Maestro: Ontopsicológica Editora Universitária, 2012. 288 p.

MICHAUD, Yves. Violence et politique. Paris: Gallimard, 1978. 240 p.

MOLINER, Pascal. Formation et stabilisation des représentations sociales. In: MOLINER, Pascal. (ed.), La dynamique des représentations sociales. Grenoble: Presses Universitaires de Grenoble, 2001. p. 15-41.

MOSCOVICI, Serge. A representação Social da psicanálise. Tradução CABRAL, Álvaro. Rio de Janeiro: Zahar, 1978. 291p.

MOSCOVICI, Serge. Representações Sociais: Investigações em psicologia social. Tradução GUARESCHI, Pedrinho A. 5. ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2007. 404 p.

MONDIN, Battista. O homem, quem é ele? São Paulo: Paulinas, 1986. 336 p.

MORAES, Regis de. Sociologia Jurídica Contemporânea. Campinas: Edicamp, 2002. 255 p.

NADER, Paulo. Introdução ao estudo do direito. 28. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2007. 456 p.

NETTO, José Paulo. Cinco notas a propósito da questão social. Revista da ABEPSS, Brasília, v. 2, n. 3, p. 41-49, Jan/Jul 2001.

PESSOA, Xavier Carneiro. Sociologia da Educação. 2. ed. São Paulo: Alínea, 2001. 204 p.

ROSA, Felippe Augusto de Miranda. Sociologia do Direito - o fenômeno jurídico como fato social. Rio de Janeiro: Zahar, 1970. 224 p.

SZTOMPKA, Piotr. A história como produto humano: a teoria da agência. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998. 568 p.

SIMMEL, George. O conceito e a tragédia da cultura. In: SOUZA, Jessé; ÖELZE, Berthold (eds.). Simmel e a Modernidade. Brasília: Universidade de Brasília, 1998. p. 79-108.

TOURAINE, Alain. La produzione della societá. Bolonha: Il Mulino, 1975. p.16-7.

TORO, Jose Bernardo A.; RODRIGUEZ Martha Consuelo G. Decisiones para el éxito escolar: lo que enseña la experiencia y la investigación en educación. Bogotá: Fundación Social - Programa de Comunicación Social, 1993. 10 p.

VALA, Jorge; CASTRO, Paula Representações sociais: para uma psicologia social do pensamento social. In: VALA, Jpoge; MONTEIRO, Maria Benedicta. (coord.). Psicologia social. 9. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2013. p. 353-84.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n7-392

Refbacks

  • There are currently no refbacks.