A criança com TEA: o ingresso no ensino fundamental em meio a pandemia/The child with ASD: entering elementary school amid the pandemic

Paloma Rodrigues Cardozo, Andreia Mendes dos Santos

Abstract


Nossa finalidade é apresentar o trabalho realizado em uma Escola Municipal de Ensino Fundamental de Porto Alegre no que diz respeito à inclusão no primeiro ano do ensino fundamental de crianças com o diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista). Justifica-se, pois, a cada ano percebemos um aumento significativo de crianças com tal diagnóstico ingressando no primeiro ano do ensino fundamental. Considerando que o período de ingresso e transição da educação infantil para o ensino fundamental ocasiona expectativas nos pais, crianças e educadores, este trabalho visa discutir sobre o papel do professor do Atendimento Educacional Especializado (AEE) no apoio ao planejamento do professor para estes alunos em tempos de isolamento social. Por objetivo, visamos discutir a inclusão das crianças com TEA na escola em meio ao distanciamento social, em tempos que o envio de atividades ocorre de maneira remota, sem a interação direta entre professor/aluno. Pertinente à área da Educação, a experiência na escola é importante para o desenvolvimento da criança e neste espaço ela produz sua trajetória escolar.  Apoiadas em Mantoan (2003), sobre a identidade sociocultural e a escola como local de legitimação, e Sarmento (2004) tomando-lhe a invisibilização da infância como uma crise de conceitos, reforçamos a necessidade de (re)pensar a inclusão e adaptação dos alunos com NEES e especificamente os alunos com TEA no cenário atual. É uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória, realizamos oito entrevistas com famílias de crianças que apontavam ter o laudo no ato da matrícula ou que já estavam em investigação e foram entrevistados quatro professores. A análise se deu por meio da Análise de Conteúdo utilizando os pressupostos de Bardin. Concluímos que o processo de ingresso no ensino fundamental requer um trabalho em conjunto com os familiares e professores, para que ao conhecer a trajetória da criança e o professor possa ter elementos que o auxilie na construção do vínculo inicial com estes alunos. Consideramos de extrema importância que o professor do AEE conheça conceitos e discussões sobre Infância e suas peculiaridades. Na atualidade se faz necessário garantir espaços de escuta e fala – tanto para os professores, quanto para as famílias.


Keywords


Infância, Transtorno do Espectro Autista, Alfabetização.

References


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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n7-302

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