Violência contra a criança: indicadores clínicos na odontologia/Violence against children: clinical indicators in dentistry

Aline de Lima Pereira Rover, Gabriela Cristina de Oliveira, Mariana Emi Nagata, Rafael Ferreira, Andrés Felipe Cartagena Molina, Sibelli Olivieri Parreiras

Abstract


O cirurgião-dentista deve ser capaz de identificar lesões resultantes de maus-tratos na infância e são obrigados, por lei, a denunciar os casos suspeitos. Os maus-tratos infantis é um grave problema social e podem ser classificados em: abuso físico, emocional, sexual e negligência. Os sinais físicos em vítimas de abuso ocorrem em grande maioria na cavidade oral e na região de cabeça e pescoço, área de atuação do cirurgião-dentista. Objetivo: Relatar os aspectos orofaciais dos diferentes tipos de maus-tratos na infância e o papel dos dentistas na avaliação dessas condições. Metodologia: Publicações sobre o tema foram obtidas em base dos dados LILACS, PUBMED, SCOPUS e WEB OF SCIENCE. Resultados: A partir das publicações foi elaborado uma tabela com as principais características do abuso sexual infantil. Verificou-se que os ferimentos orofaciais decorrentes de maus-tratos infantis incluem marcas de mordida, fratura dentária, laceração dos tecidos duros e moles, hematomas em vários estágios de cura, dentre outros. Os cirurgiões dentistas encontram-se despreparados para diagnosticar casos de violência infantil. A correta atuação do profissional é essencial para proteção da criança, devendo este denunciar os casos suspeitos ao Conselho Tutelar ou ao Juizado da Infância e Juventude. Conclusões: é de suma importância o reconhecimento dos sinais e lesões em crianças sob maus-tratos, para que o cirurgião-dentista cumpra sua responsabilidade ética e legal nestes casos.O cirurgião-dentista deve ser capaz de identificar lesões resultantes de maus-tratos na infância e são obrigados, por lei, a denunciar os casos suspeitos. Os maus-tratos infantis é um grave problema social e podem ser classificados em: abuso físico, emocional, sexual e negligência. Os sinais físicos em vítimas de abuso ocorrem em grande maioria na cavidade oral e na região de cabeça e pescoço, área de atuação do cirurgião-dentista. Objetivo: Relatar os aspectos orofaciais dos diferentes tipos de maus-tratos na infância e o papel dos dentistas na avaliação dessas condições. Metodologia: Publicações sobre o tema foram obtidas em base dos dados LILACS, PUBMED, SCOPUS e WEB OF SCIENCE. Resultados: A partir das publicações foi elaborado uma tabela com as principais características do abuso sexual infantil. Verificou-se que os ferimentos orofaciais decorrentes de maus-tratos infantis incluem marcas de mordida, fratura dentária, laceração dos tecidos duros e moles, hematomas em vários estágios de cura, dentre outros. Os cirurgiões dentistas encontram-se despreparados para diagnosticar casos de violência infantil. A correta atuação do profissional é essencial para proteção da criança, devendo este denunciar os casos suspeitos ao Conselho Tutelar ou ao Juizado da Infância e Juventude. Conclusões: é de suma importância o reconhecimento dos sinais e lesões em crianças sob maus-tratos, para que o cirurgião-dentista cumpra sua responsabilidade ética e legal nestes casos.

Keywords


Maus-Tratos Infantis, Odontologia, Odontologia Legal.

References


Raquena A, Oblens N, Lara E. Afectación de la salud oral en niños ue padecen maltrato infantil: reporte de caso. Int J Odontostomat internet 2014; 8(1):167-173,

Pertiwi ASP, Sasmita IS. Oral and dental aspects of child abuse. Dental Journal (Majalah Kedokteran Gigi) 2006; 39(2):68-71.

World Health Organization. Guidelines for medico-legal care of victims of sexual violence 2003.

Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Dados epidemiológicos Sinan. Brasil 2016.

Pascolat G, Cristiane FL, Eurico CR, Valdez LCO, Busato D, Marinho DH. Abuso físico: o perfil do agressor e da criança vitimizada. J pediatr 2001; 77(1):35-40.

Crespo M, Andrade D, Alves ALS, Magalhães T. O papel do médico dentista no diagnóstico e sinalização do abuso de crianças. Acta Med Port 2011; 24:939-948.

Hinchliffe J. Forensic odontology, part 5. Child abuse issues. British dental journal 2011; 210(9):423.

Josgrilberg EB, Carvalho FG, Guimarães MS, Pansani CA. Maus-tratos em crianças: a percepção do aluno de Odontologia Child abuse: Knowkedge of dental students. Clín.-Científ. 2008; 7(1):35-38.

Fracon ET, Da Silva RHA, Bregagnolo JC. Avaliação da conduta do cirurgião-dentista ante a violência doméstica contra crianças e adolescentes no município de Cravinhos (SP). RSBO Revista Sul-Brasileira de Odontologia 2011; 8(2):153-159.

Alves PM, Cavalcanti AL. Diagnóstico do abuso infantil no ambiente odontológico: uma revisão da literatura. Ciênc Biol Saúde Ponta Grossa 2003; 9(3/4):29-35.

SILVA, Geany Carla Barros; COUTINHO, Diogenes José Gusmão. Um estudo sobre a violência escolar e suas consequências/A study on school violence and its consequences. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 2, p. 7718-7731, 2020.

Brasil. Lei no 8.069 de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente, Câmera dos Deputados. DOU de 16/07/1990 – ECA. Brasília, DF.

Conselho Federal de Odontologia. Código de Ética Odontológica. Resolução CFO 118/2012.

Alves MA, Fonseca BA, Soares TRC, França AK, Azevedo RN, Tinoco RL. Importância do cirurgião-dentista no diagnóstico de abuso sexual infantil–revisão de literatura. RBOL-Revista Brasileira de Odontologia Legal 2016; 3(2):92-99.

Vieira ELR, Katz CRT, Colares V. Indicadores de maus-tratos em crianças e adolescentes para uso na prática da odontopediatria. Odontol. clín.cient 2008; 7(2):113-118.

Garrocho-Rangel A, Márquez RP, Vivar AI, Rodriguez S, Guillén AP. Dentist attitudes and responsibilities concerning child sexual abuse. A review and a case report. Journal of clinical and experimental dentistry 2015; 7(3):428–434.

Peres AS, Silva RHA, Júnior CL, Carvalho SPM. Odontologia e o desafio da identificação de maus-tratos. Odontol. clín.-cient 2008; 7(3):185-189.

APOSTOLICO, Maíra Rosa; HINO, Paula; EGRY, Emiko Yoshikawa. As possibilidades de enfrentamento da violência infantil na consulta de enfermagem sistematizada. Rev. esc. enferm. USP, São Paulo , v. 47, n. 2, p. 320-327, Apr. 2013 .

RISTUM, Marilena. As marcas da violência doméstica e a identificação por professores do ensino fundamental. Revista Brasileira de Psicologia, v. 1, n. 01, p. 13-26, 2014.

COELHO, FERNANDA JACOBOSKI; FRANZIN, LUCIMARA CHELES DA SILVA. Violência doméstica infanto-juvenil: importância deste conhecimento pelo profissional da saúde. Revista Uningá Review, v. 20, n. 2, 2014.

HERRERA, Lara Maria et al. CARTILHA SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES. Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo. Laboratório de Antropologia e Odontologia Forense.São Paulo, OFLab – Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, 2015. 23 p.

Moreira GAR, Rolim ACA, Saintrain MVL. Atuação do cirurgião-dentista na identificação de maus-tratos contra crianças e adolescentes na atenção primária. Saúde em Debate 2015; 39:257-267.

Santos BFV, Pontes JL. Competência do cirurgião-dentista sobre maus tratos: uma revisão de literatura 2017.

Wacheski A, Lopes MGK, Paola APB, Valença P, Losso EM. O conhecimento do aluno de Odontologia sobre maus tratos na infância antes e após o recebimento de uma cartilha informativa. Odonto 2012; 1(1):7-15.

Tornavoi DC, Galo R, Da Silva RHA. Conhecimento de profissionais de Odontologia sobre violência doméstica. RSBO Revista Sul-Brasileira de Odontologia 2011; 8(1):54-59.

Azevedo MS, Goettems ML, Brito A, Possebon AP, Domingues J, Demarco FF, Torriani DD. Child maltreatment: a survey of dentists in southern Brazil. Brazilian oral research 2012; 26(1):5-11.

Russel M, Lazenbatt A, Freeman R, Marcenes W. Child physical abuse: health professionals’ perceptions, diagnosis and responses. British journal of community nursing 2004; 9(8):332-339.

De Andrade KL, Colares V, Cabral HM. Avaliação da conduta dos odontopediatras de Recife com relação ao abuso infantil. Revista Odonto Ciência 2005; 20(49):231-236.

Dalledone M, Paola APB, Correr GM, Pizzatto e, Souza JF, Losso EM. Child abuse: perception and knowledge by Public Health Dentistry teams in Brazil. Brazilian Journal of Oral Sciences 2015; 14(3):224-229.

Campos PCM. Odontopediatras e violência contra crianças e adolescentes: como eles atuam? International Journal of Science Dentistry 2010; 2(34).

Carvalho LMF, Galo R, Da Silva RHA. O cirurgião-dentista frente à violência doméstica: conhecimento dos profissionais em âmbito público e privado. Medicina (Ribeirão Preto. Online) 2013; 46(3):297-304.

Gomes LS, Pinto TCA, Costa EMMBC, Ferreira JMS, Cavalcanti SDLB, Granville-Garcia AF. Percepção de acadêmicos de odontologia sobre maus-tratos na infância. Odontologia Clínico-Científica 2011; 10(1):73-78.

De Abreu PTR, Costa IFS, Galvão A, Souza ACP, Zocratto KBF, Oliveira CAS. Abuso físico infantil: vivências e atitudes de estudantes de Odontologia. Revista da ABENO 2017; 17(2):107-119.

De Abreu Busato C, Pereira TCR, Guaré RO. Maus-tratos infantis na perspectiva de acadêmicos de Odontologia. Revista da ABENO 2018; 18(1):84-92.

Biss SP, Tomazinho PH, Pizzatto E, Losso EM. Maus tratos infantis: avaliação do currículo dos cursos em odontologia. Revista da ABENO 2015; 15(1):55-62.

Junior MFS, Pagel MD, Campos DMK, Miotto MHM. Conhecimento de acadêmicos de Odontologia sobre maus-tratos infantis. Arquivos em Odontologia 2015; 51(3):138-144.

Owens F, Susan A, Lukefahr JL, Tate AR. Oral and dental aspects of child abuse and neglect. American Academy Of Pediatrics 2017; 39(4):278-283.

Somani R, Kushwaha V, Kumar D, Khaira J. Abuso infantil e sua detecção no consultório odontológico. Jornal da Academia Indiana de Medicina Forense 2011; 33(4):359-363.

De Souza CE, Rodrigues IFMM, Zocratto KBF, Oliveira CAS. Violência infantil e a responsabilidade profissional do cirurgião-dentista–revisão de literatura. RBOL-Revista Brasileira de Odontologia Legal 2016; 4(1):53-63

Brasil. Lei nº 2.848 de 7 de dezembro de 1940, Art 136. Maus Tratos. Código Penal. Diário Oficial da União 1940; 7 dez.

Arias Congrains J. Estamos preparados para diagnosticar maltrato infantil? Odontol. Pediatr 2002; 1(1)3-6.

Ivanoff CS, Hottel TL. Comprehensive training in suspected child abuse and neglect for dental students: a hybrid curriculum. Journal of dental education 2013; 77(6):695-705.

Cavalcanti AL. Abuso Infantil: protocolo de atendimento odontológico. RBO, Rio de Janeiro, 2001; 58(6):378-380.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n7-114

Refbacks

  • There are currently no refbacks.