Transformações através da convencionalização da cafeicultura orgânica: o caso de cafeicultores da província de San Ignacio - Peru / Transformation through conventionalization of organic coffee production: the case of coffee producers in San Ignacio Province - Peru

Darwin Aranda Chuquillanque, Carmem Rejane Pacheco Porto, Marcelo Tempel Stumpf, Carlo Juliantro Gielh

Abstract


Esta pesquisa buscou discutir sobre a convencionalização e apropriacionismo das práticas agrícolas de produção orgânica e como essas interferem na produção e comercialização de cafés especiais no município de San Ignacio, no Peru. A pesquisa que originou este artigo justifica-se não apenas pela relevância da cafeicultura no desenvolvimento socioeconômico de milhares de famílias das áreas rurais, como também pela escassez de estudos empíricos realizados na referida província. Os dados analisados nesta pesquisa foram coletados em trabalho de campo em 2018. A convencionalização dos cafés especiais gerou mudanças nas estruturas de organização social, produção, comercialização e consumo das famílias camponesas da província de San Ignacio/Peru, destacando-se o cooperativismo como a principal forma de organização que passa a ser utilizada pelas famílias para inserir-se nos mercados de cafés especiais. A produção de cafés especiais na província de San Ignacio, segundo os critérios apontados ao longo deste trabalho, poderia ser caracterizada pela produção em volume e monocultivo, definindo-se assim como produção de commodities orgânicas para mercados de nichos específicos, sendo que os selos cumprem um papel de diferenciação do produto. Ademais, a distribuição desse produto segue os modelos dos produtos convencionais. Os agentes que controlam o mercado de cafés especiais se apropriaram de práticas e valores que os agricultores já realizavam muito antes da exigência dos selos de produção orgânica. Ao mesmo tempo, os agricultores estão perdendo soberania e a segurança alimentar. A exportação do café através das cooperativadas deveria gerar maior autonomia aos agricultores, porém eles são dependentes dos preços internacionais, de modo que as cooperativas são usadas simplesmente como uma intermediadora para exportação. A renda dos agricultores provém principalmente da comercialização do café, o que gera vulnerabilidade socioeconômica às famílias.


Keywords


Convencionalização, Café orgânico, Cooperativas.

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DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n6-648

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