Diatomáceas como indicadoras da qualidade da água em rios urbanos / Diatoms as indicators of water quality in urban rivers

Ana Claudia da Silva Santos, Nayara do Socorro do Nascimento Farias, Antônio Pereira Junior

Abstract


A contaminação dos ecossistemas aquáticos oriundos de esgotos domésticos e industrial é um dos maiores desafios para o Brasil nos últimos anos, pois tem ocasionado a diminuição da qualidade da água de rios. O objetivo dessa pesquisa foi promover a análise quanti-qualitativa a partir da presença/ausência das diatomáceas como indicadoras da qualidade da agua associada aos parâmetros físico-químico ou ausência dessas algas na água dos rios Prainha e Uraim, no município de Paragominas – PA, bairro Promissão, loteamento Promissão I, nas ruas Bujaru e Durval Nolasco. As amostragens ocorreram nos dias 13 de maio, período chuvoso, e no dia 13 de setembro, período seco, ambas no ano de 2018, sendo três pontos no rio Prainha e três no rio Uraim, todas a 20 cm de profundidade. O método utilizado foi o dedutivo, a pesquisa apresenta natureza aplicada com abordagem quantiqualitativa e procedimento experimental. A análise dos dados adquiridos indicou que há presença de um total 453 indivíduos pertencentes a 11 gêneros. Dentre estes, 9 gêneros foram encontrados no rio Prainha e 7 no rio Uraim. A riqueza de gêneros nos meses estudados indicou uma tendência de variação quando comparados os valores entre os períodos chuvoso e seco dos rios Prainha (S=5 para S=7) e Uraim (S=4 para S= 6). Em relação diversidade, esta foi maior no período seco em ambos os rios, e a única espécie abundante no rio Prainha, em ambos os períodos de coleta, foi a Navicula sp, no rio Uraim não houve espécie abundante. Dos parâmetros físico-químico e ambientais analisados, somente o pH e fosforo total não estão em conformidade com o valor estabelecido pela resolução. A presença ou ausência das diatomáceas em um corpo hídrico está diretamente relacionada com dos parâmetros físico-químico e ambientais, O gênero Pinnularia sp, por exemplo, tem boa afinidade com baixos valores de pH, assim como, a Gomphonema sp só está pressente em ambientes onde a quantidade de nutrientes é alta, principalmente fosforo total e nitrogênio. Logo, as diatomáceas, assim como os parâmetros físico-químicos, em situações de alteração da característica natural de um corpo hídrico, também são bastantes sensíveis e capazes de indicar a qualidade da água, inclusive de rios urbanos.

 

 


Keywords


gênero; parâmetros de qualidade; período.

References


ALMEIDA, P. D.; BICUDO, D. C. Diatomáceas planctônicas e de sedimento superficial em represas de abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, SP, Sudeste do Brasil, Hoehnea, São Paulo, v. 41, n. 2, p. 187-207, dez. 2014.

ALVARENGA, L. A et al. Estudo da qualidade da água em microbacia, afluente do rio Paraíba do Sul – São Paulo, após ações de preservação ambiental. Revista Ambiente & Água, Taubaté, v. 7, n. 3, p. 228-240, nov. 2012.

ANA. Agencia Nacional de Água. Guia Nacional de Coleta e Preservação de Amostras, da Agência Nacional das Águas. Brasília, ANA, v. n.2, 2011.

BERE, T.; TUNDISI, J. G. Biological monitoring of lotic ecosystems: the role of diatoms, Braz. J. Biol, São Carlos, v. 70, n. 3, p. 493-502, ago. 2010.

BERE, T.; TUNDISI, J. G. Diatom-based water quality assessment in streams influence by urban pollution: effects of natural and two selected artificial substrates, São Carlos-SP, Brazil, Braz. J. Aquat. Sci. Technol. Itajaí, v.15, n. 1, p. 54-63, mar. 2011.

BERTOLLI, L. M.; TREMARIN, P. I.; T. LUDWIG A. V. Diatomáceas perifíticas em Polygonum hydropiperoides Michaux, reservatório do Passaúna, Região Metropolitana de Curitiba, Paraná, Brasil, Acta bot. Bras. Minas Gerais, v. 24, n. 4, p. 1065-1081, jun. 2010.

BRASIL. Resolução nº 357, de 17 de março de 2005. Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 18 mar., n. 53, p. 58-63.

BRASIL. Fundação Nacional Da Saúde. Manual prático de análise de água. 4º ed. Brasília: FUNASA, 2013.

BUZELLI, G. M.; SANTINO, M. B. C. Análise e diagnóstico da qualidade da água e estado trófico do reservatório de Barra Bonita, SP. Ambiente & Água-An Interdisciplinary Journal of Applied Science, São Paulo, v. 8, n. 1, jun. 2013.

CHELLAPPA, N. T.; CÂMARA, F. R. A.; ROCHA, O. Phytoplankton community: indicator of water quality in the Armando Ribeiro Gonçalves Reservoir and Pataxó Channel, Rio Grande do Norte, Brazil, Braz. J. Biol., São Carlos, v. 69, n. 2, p. 241-251, mai. 2009.

ESRI. ENVIRONMENTAL SYSTEMS RESEARCH INSTITUTE. ArcGIS. Sistema de Informação Geográfica para área de trabalho de computador, versão 10.1. 2013. Disponível em: . Acesso em: 06 nov. 2018.

FELISBERTO, S. A.; RODRIGUES, L. Dinâmica sucessional de comunidade de algas perifíticas em um ecossistema lótico subtropical, Rodriguésia. Rio de Janeiro, v. 63, n. 2, p. 463-473, out. 2012.

GARCIA, J. M et al. Degradação ambiental e qualidade da água em nascentes de rios urbanos. Sociedade e Natureza, Uberlândia, v. 30, n. 1, p. 228-254, jan./abr. 2018.

GARCIAS, C. M. et al. Revitalização de rios urbanos: estudo de caso bacia do rio Belém, Curitiba-PR. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 6, n.2, p. 6088-6096, 2020.

HEINRICH, C. G et al. Epilithic diatoms in headwater areas of the hydrographical sub basin of the Andreas Stream, RS, Brazil, and their relation with eutrophication processe, Acta Limnologica Brasiliensia. Rio Claro, v. 26, n. 4, p. 347-355, nov. 2014.

GUEDES, J. A. Poluição de rios em áreas urbanas. Ateliê Geográfico. Goiânia, v. 5, n.2, p. 212 – 226, ago. 2011.

IDESP. Instituto De Desenvolvimento Econômico, Social E Ambiental Do Pará. Estatística Municipal: Paragominas. Belém, 2014. Disponível em:. Acesso em 31 out. 2018.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Cidades, 2010. Disponível em: . Acesso em: 20 jan. 2018.

INMET. INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA. Clima, temperatura e precipitação de Paragominas. 2013. Disponível em< http://www.inmet.gov.br/portal>. Acesso em: 18 mai. 2018.

LAUX, M. Diatomáceas (Bacillariophyta) dos rios formadores do Delta do Jacuí, Rio Grande do Sul: composição florística e variação sazonal. 2011. Dissertação (Mestrado em Botânica), Universidade do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.

LOBO, E. A et al. Guia ilustrado para sistemas lóticos subtropicais e temperados Brasileiros da Universidade de Santa Cruz do Sul. Santa Cruz do Sul, Universidade de Santa Cruz do Sul. 2016.

LOBO, E.; LEIGHTON, G. Estruturas de las fitocenosis planctônicas de los sistemas de desembocaduras de rios y esteros de la zona central do Chile. Revista de Biologia Marinha. Valparaíso, n. 1, v.22, p. 143-170, jul.1986.

LOPES, W. F. A.; MAGALHÃES JÚNIOR, A. P. Influência das condições naturais de pH sobre o índice de qualidade das águas (IQA) na bacia do Ribeirão de Carrancas. Revista Geografias, Belo Horizonte, v. 6, n. 2, p. 134-147, fev. 2010.

MARINHO, J. C.; FARIA JÚNIOR, C. H F. Diagnóstico da atividade pesqueira praticada por pescadores filiados a colônia de pescadores Z-66, do município de Curuá-PA. Brazilian Journal of Development, Curitiba, v. 6, n. 2, p. 8780-8794, 2020.

MATIAS-PEREIRA, J. Manual de metodologia da pesquisa cientifica. São Paulo: Atlas, 2016.

MENEZES, J. P. C et al. Relação entre padrões de uso e ocupação do solo e qualidade da água em uma bacia hidrográfica urbana. Engenharia Sanitária e Ambiental, Rio de Janeiro, v. 21, n. 3, p. 519-534, jul./set. 2016.

MICROSOFT EXCEL OFFICE. Gerenciador de planilhas eletrônicas. [S.l.]: Microsoft Corporation, 2010. Programa. 1 CD-ROM. 2016. Disponível em: . Acesso em: 06 nov. 2018.

MORESCO, C et al. Diatomáceas perifíticas abundantes em três córregos com diferentes ações antrópicas em Maringá, PR, Brasil, Rev. Brasil. Bot., São Paulo, v. 34, n. 3, p. 359-373, jul/set. 2011.

MORESCO, C.; RODRIGUES, L. Periphytic diatom as bioindicators in urban and rural streams, Acta Scientiarum, Maringá, v. 36, n. 1, p. 67-78, jan/mar. 2014.

MORESCO, C.; GUABINI, E. A.; RODRIGUES, L. Periphytic diatoms as bioindicators in a tropical stream: from urban to rural environments, Acta Scientiarum, Maringá, v. 37, n. 4, p. 427-437, out. /dez. 2015.

NARDELLI, M. S et al. Structure and dynamics of the planktonic diatom community in the Iguassu River, Paraná State, Brazil, Brazilian Journal of Biology, São Carlos, v. 76, n. 2, p. 374-386, mai. 2016.

ORIGIN LAB. Software de análise de dados e gráficos: Origin Lab Corporation, 2013. Disponível em: < https://www.originlab.com/>. Acesso: 06 nov. 2018.

PELLEGRINI, B. G.; FERRAGUT. C. Variação sazonal e sucessional da comunidade de algas perifíticas em substrato natural em um reservatório mesotrófico tropica. Acta Botanica Brasilica. Belo Horizonte, v. 26, n.4, p. 810-821, jun. 2012.

PEREIRA, A. C.; TORGAN, L. C.; MELO, S. Pinnularia (Bacillariophyta) do curso inferior do rio Negro, Amazonas, Brasil: taxonomia e distribuição temporal, Acta Amazonica, Manaus, v. 42, n. 3, p. 205-314, nov. 2012.

PEREIRA JÚNIOR, A et al. As diatomáceas como indicadoras da qualidade da água em rios Urbanos. Multidisciplinary Reviews, v. 1, set. 2018.

PEREIRA, P. S.; PEREIRA, A. M. B.; CASTRO, C. L. F. Percepção dos moradores sobre a poluição do rio Cariús, município de Farias Brito, Ceará. Revista Eletrônica em Gestão, Educação e Tecnologia Ambiental. Santa Maria, v. 20, n. 1, p.363-371, jan. /abr. 2016.

PESSOA, E. K. R et al. Variações temporais dos parâmetros limnológicos, os grupos frequentes e índices biológicos da comunidade fitoplanctônica do açude Santa Cruz, Rio Grande do Norte, Brasil. Biota Amazônia, Macapá, v. 7, n. 2, p. 59-64, ago. 2017.

PINTO, A et al. Diagnóstico Socioeconômico e Florestal do município de Paragominas. Relatório Técnico. Belém: Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Imazon. Disponível em: < http://imazon.org.br/PDFimazon/Portugues /outros/iagnostico-socioeconomico-e-florestal-do.pdf>. Acesso em: 03 out. 2018.

QUEIROZ, T. M.; OLIVEIRA, L. C. P. Qualidade da água em comunidades quilombolas do Vão Grande, município de Barra do Bugres (MT). Engenharia Sanitária e Ambiental, Rio de Janeiro, v. 23, n. 1, p. 173-180, mai.2018.

RANGEL, A. J et al. Comunidade fitoplanctônica como discriminador ambiental em um trecho do rio salgado, semiárido nordestino. Cadernos de Cultura e Ciência, Crato, v. 15, n. 2, p. 29-41, out. 2017.

RODRIGUES, E. H. C et al. Variação temporal do fitoplâncton em um rio tropical pré-amazônico (Rio Pindaré, Maranhão, Brasil). Ciência e Natura, Santa Maria, v. 37, n. 2, ago. 2015.

RODRIGUES, W.C. DivEs - Diversidade de Espécies - Guia do usuário versão 4.0 (AntSoft Sytems On Demand). Disponível em: . Acesso em: 06 nov. 2018.

SALOMANI, S. E et al. Application of water quality biological indices using diatoms as bioindicators in the Gravataí river, RS, Brazil. Brazilian Journal of Biology., São Carlos, v. 71, n. 4, p. 949-959, nov. 2011.

SANEPAR. AGÊNCIA DE SANEAMENTO DE PARAGOMINAS. Bacia do Uraim. 2014. Disponível em: . Acesso em: 28 fev. 2018.

SANTANA, L. M. et al. Spatial and temporal variation of phytoplankton in a tropical eutrophic river. Brazilian Journal of Biology, São Carlos, v. 76, n. 3, p. 600-610, ago. 2016.

SANTOS, E. M et al. Análise Espacial das Ações do Programa “Municípios Verdes”: Estudo de Caso no Município de Paragominas-PA. Revista Brasileira de Gestão Ambiental. Pombal, v. 11, n. 1, p. 21-35, jan./dez. 2017.

SANTOS, R. C. L et al. Aplicação de índices para avaliação da qualidade da água da bacia costeira do Sapucaia em Sergipe. Eng. Sanit. Ambient. Rio de Janeiro, v. 23, n. 1, p. 33-46, jan./fev. 2018.

SANTOS, R. K. Trajetória sucessional de diatomáceas perifíticas de substratos artificiais em reservatórios urbanos. 2017. Dissertação (Mestrado em Botânica), Universidade Federal do Paraná, Paraná, 2017.

SCHUCH, M.; ABREU JÚNIOR, E. F.; ALCAYAGA, E. L. Water quality of urban streams, Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, Brazil, based on physical, chemical and biological analyses. Bioikos, Campinas, v. 26, n. 1, p. 3-12, jan./jun. 2012.

SILVA, M. A; ARAÚJO, R. R. Análise temporal da qualidade da água no córrego limoeiro e no rio Pirapozinho no estado de São Paulo- Brasil. Revista Formação, São Paulo, v. 1, n. 24, p.182-203, jan./abr. 2017.

SILVEIRA, Denise Tolfo; CÓRDOBA, Fernanda Peixoto. Métodos de pesquisa. In: GERHARD, T. E.; SILVEIRA. D. T. (Org). Métodos da Pesquisa. Porto Alegre: UFRGS, 2009, p. 31 – 42.

SOUSA, E. B et al. Variação temporal do fitoplâncton e dos parâmetros hidrológicos da zona de arrebentação da Ilha Canela (Bragança-Pará-Brasil). Acta Botanica Brasilica, São Carlos, v. 23, n. 4, p. 1084-1095, mar. 2009.

SOUTO, R. M et al. Influence of environmental factors on benthic macroinvertebrate communities of urban streams in Vereda habitats, Central Brazil. Acta Limnologica Brasiliensia. Rio Claro, v. 23, n. 3, p. 293-906, abr. 2011.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n6-125

Refbacks

  • There are currently no refbacks.