Versos, Rimas e Assombração: a literatura popular na sala de aula do semiárido Piauiense/ Verses, Rhymes and Haunting: the popular literature in the classroom of the semiarid Piauiense

Vanessa Fortaleza de Sousa, Adauto Neto Fonseca Duque, Maria Alveni Barros Vieira

Abstract


Os trabalhos de leitura, análise e interpretação de contos, romances e comédias, realizados nas escolas do semiárido piauienses, tradicionalmente priorizam a literatura considerada erudita em detrimento da literatura popular local, negando-lhe, dessa forma, a devida importância no cenário educacional e cultural da região. Este artigo tem como objetivo discutir o papel da literatura popular como um referencial teórico analítico facilitador do processo de construção de uma identidade local entre os alunos do ensino fundamental, assim como, apresentar os resultados parciais de uma pesquisa de campo que intenciona fazer o registro de diferentes modalidades de literatura popular no espaço geográfico em estudo. Na perspectiva de construção desse trabalho fizemos uso de referenciais teórico conceituais pertinentes a história das práticas culturais de Chartier (1990), articulados aos estudos de história regional feitos por Caprini (2014) que enfatiza a necessidade de pesquisar espaços, textos e contextos poucos valorizados pela cultura acadêmica. Como resultado, apresentamos as discussões feitas por Lutyen (1996) sobre a literatura popular como uma prática cultural realizada pelo o povo, tendo como característica uma linguagem regional que expressa as experiências vivenciadas rotineiramente por cada autor, e dos leitores, sendo possível a identificação cultural, social, econômica e política do indivíduo no contexto histórico e espacial em que vive. Por fim, expomos a literatura popular como produzida por dois mestres do semiárido piauiense, a saber: literatura de cordel e contos de assombração.


Keywords


Literatura popular. Cordel. Contos de assombração. Semiárido Piauiense

References


BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília: Ministério da Educação, 1996.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: Ministério da Educação, 1998.

CAPRINI, Aldieris Braz Amorim. Pesquisa em História Regional: aspectos conceituais e metodológicos. 2014. Disponível em: http://www.ilb.ufop.br/IIIsimposio/64.pdf Acessado em: 25 de abril de 2018.

CHARTIER, Roger. A história cultural entre práticas e representações. Lisboa: Difusão Editora, 1990.

COSTA, Giovani. Cordel- o que são sextilhas. Disponível em: acesso em: 18 de outubro de 2018.

FLICK, Uwe. Introdução à pesquisa qualitativa. Tradução: Joice Elias Costa. – 3. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.

FONSECA, Thaís Nivia de Lima e. História da educação e história cultural. In: GREIVE, C. V; LIMA & FONSECA, T. N. de (Orgs.). História e historiografia da educação no Brasil. Belo Horizonte: Autêntica, 2003.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários a prática educativa. São Paulo: paz e terra, 1996.

GUERREIRO, Manuel Viegas. Literatura popular: em torno de um conceito. Revista de literatura oral e tradição popular. Paris, p. 20-22. Nov. 1986.

HAURÉLIO, Marco. Breve história da literatura de cordel. São Paulo: Editora Caridade, 2016.

LIMA, José Osvaldo Lavôr de. José Oswaldo Lavôr de Lima: depoimento [mai. 2018]. Entrevistadora: Vanessa Fortaleza de Sousa. Picos (PI): Universidade Federal do Piauí, 2018. Gravação digital em celular. Entrevista concedida ao Projeto de Extensão Sujeitos, saberes e práticas educativasUFPIPicos.

LUYTEN, Joseph M. O que é literatura popular. São Paulo: Brasiliense, 1996.

MOURA, Joana Teresa dos Santos. Joana Teresa dos Santos Moura. Entrevistadora: Jayne Moura Santos. Picos (PI): Universidade Federal do Piauí, 2018. Gravação digital em celular. Entrevista concedida ao Projeto de Extensão Sujeitos, saberes e práticas educativasUFPIPicos.

RADINO, Glória. Contos de fadas e realidade psíquica: a importância da fantasia no desenvolvimento. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.

RÊGO, José Veloso. José Veloso Rêgo: depoimento [mai. 2018]. Entrevistadora: Tatiane Veloso da Luz. Picos (PI): Universidade Federal do Piauí, 2018. Gravação digital em celular. Entrevista concedida ao Projeto de Extensão Sujeitos, saberes e práticas educativasUFPIPicos.

RONDELLI, Beth. O narrado e o vivido: o processo comunicativo das narrativas orais entre pescadores do Maranhão. Rio de Janeiro, Funart/IBAC, Coordenação de Folclore e Cultura Popular, 1993, p. 17-46.

SAUTCHUK, João Miguel Manzollio. A poética encantada: investigação das habilidades do repentista nordestino. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea [em linea] 2010. [Ficha de consulta: 26 de abril de 2019] Disponível em: http://www.redalyc.org/articulo.oa?id=323127099012

SILVA, Celso Cisto. A literatura popular: silêncios e murmúrios na história da literatura

THOMAS, Keith. In: PALLARES-BURKE. Maria Lúcia. As muitas faces da História. São Paulo: UNESP. 2000.

OTT, Ellen Carolina; SILVA, Neidi Liziane Copetti da; HAMMES, Care Cristiane. Uma investigação com as crianças sobre as linguagens do brincar. Brazilian Journal of Development. Curitiba, v. 3, n. especial ensino e educação, p. 545-559, dez. 2017.

VIEIRA, Maria Alveni Barros. A escolarização da criança na Capitania do Piauí (1730-1859). Teresina: EDUFPI, 2013.




DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv6n6-071

Refbacks

  • There are currently no refbacks.